Terrorismo

Jihad Jane. A nova face do terror mora nos Estados Unidos

Publicado em 11 de Março de 2010   
Cidadã norte-americana é acusada de apoio ao terrorismo e de recrutar "guerrilheiros" para atentados na Europa
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Jihad Jane. O trocadilho é sonante e revela, da parte da autora, alguma apetência para o marketing. Mas em prol de uma causa arrepiante: o terrorismo. Agravada pelo facto de ser promovida por uma "normal" cidadã norte-americana que abraçou a causa da guerra contra o Ocidente. Jihad Jane é um dos alter-egos da norte-americana Colleen Renee LaRose, de 46 anos, esta semana formalmente acusada de práticas terroristas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. E a confirmarem-se as bases da acusação, o FBI revela que LaRose, ou Jihad Jane, será condenada a prisão perpétua.

Detida deste Outubro pelas autoridades norte-americanas, esta residente em Montgomery County, nos arredores de Filadélfia, é descrita pelo FBI como uma mulher de duas faces: na aparência uma normal habitante "da América suburbana", franzina, loira e de olhos azuis; mas na prática uma perigosa agente ao serviço da Jihad islâmica.

E com um considerável leque de acusações: apoio logístico e financeiro a grupos terroristas, conspiração para matar em territórios estrangeiros, declarações falsas a agentes do governo e tentativa de roubo de identidade. O anúncio destas acusações agitou a opinião pública e os media norte-americanos, pela constatação de que a adesão a causas terroristas está cada vez mais dispersa pelo mundo. Com a agravante, neste caso, de incluir cidadãos dos Estados Unidos que se associam a causas de 'inimigos públicos' como a Al-Qaeda. "É uma cidadã americana cujo aspecto era entendido como uma mais-valia, por permitir-lhe misturar-se" na sociedade, sublinhou o FBI no comunicado em que formalizou a acusação contra LaRose.

Palavras que, de resto, sintetizam um dos maiores receios das autoridades norte-americanas: segundo fontes judiciais citadas pelo "The Washington Post", há cada vez mais suspeitas de terrorismo a recair sobre mulheres nascidas nos Estados Unidos e sem qualquer ligação aparente a países muçulmanos. Este caso "sublinha o carácter evolutivo da ameaça que os Estados Unidos enfrentam", defendeu ontem David Kris, adjunto do procurador norte-americano para a segurança nacional.

De acordo com as informações divulgadas pelo FBI, Jihad Jane alimentou uma rede de contactos terroristas em zonas como o Sul da Ásia, Estados Unidos ou Europa. E a internet era a base de recrutamento de homens e mulheres interessados em aderir à causa. A cidadania europeia ou norte-americana seria mesmo encarada como atributo preferencial para o recrutamento, na medida em que levantariam menos suspeitas. Segundo dados avançados pela imprensa norte-americana, um dos pontos de partida para a investigação do FBI terá sido a publicação de comentários no YouTube, onde Colleen LaRose anunciou, sob o nome Fatima LaRose, o propósito de "ajudar o sofredor povo muçulmano".

Embora o FBI não tenha feito uma associação entre os dois casos, a formalização das acusações a LaRose aconteceu no mesmo dia em que a polícia irlandesa prendeu, nas cidades de Cork e Waterford, quatro homens e três mulheres suspeitos de planearem um atentado contra o artista sueco Lars Vilks, que em 2007 desenhou uma caricatura do profeta Maomé com o corpo de um cão. Os sete suspeitos estariam há vários meses sob vigilância dos serviços secretos da Suécia e dos Estados Unidos, por alegadamente manterem contactos com LaRose, através da Internet, para executarem esse atentado.


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