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Santana Lopes lança Marcelo a primeiro-ministro

Publicado em 11 de Março de 2010   
Santana Lopes defende solução bicéfala para o PSD: novo líder não será candidato a primeiro-ministro
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Pedro Santana Lopes vai lançar Marcelo Rebelo de Sousa como candidato a primeiro-ministro. O i sabe que esta é uma das propostas que o ex-líder do PSD pretende levar ao congresso extraordinário do próximo fim de semana. A forma como o vai fazer continua no segredo dos deuses. Mesmo entre a sua equipa política mais próxima, as dúvidas persistem. Hoje ainda Santana Lopes deverá levantar uma ponta do véu com uma entrevista logo à noite na SIC/Notícias. Porém, a mensagem ao partido já está a ser preparada. Segundo uma fonte próxima, na sua intervenção inicial, Santana deverá defender que o PSD "tem de eleger um líder que seja um primeiro-ministro indiscutível. Eis quando Marcelo desce do céu à terra."

Implícita deverá ficar a opinião de que nenhum dos actuais quatro candidatos à liderança do PSD - Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e ainda Castanheira Barros - tem "arcaboiço político" e "experiência governativa" para enfrentar José Sócrates e os problemas que Portugal, num momento em que se vive a mais grave crise das últimas décadas. Santana falará assim da situação interna do PSD, mas também do país, uma das exigências de Marcelo Rebelo de Sousa para estar presente no congresso. "Se o congresso é para discutir o país, o futuro do país, muito bem, se é para discutir o passado do PSD, muito mal", repetiu em diversas ocasiões o comentador.

Santana Lopes ainda não disse aos seus conselheiros mais próximos se para o efeito se candidatará a líder, mas esse é um dos cenários em cima da mesa: apresentar-se como candidato a presidente do PSD com um nome alternativo como candidato a primeiro-ministro. A separação entre as candidaturas à liderança e à chefia do governo não é inédita, tendo sido defendida no passado, entre outros, pela Juventude Social Democrata.

A ideia de um candidato que se assumisse apenas como concorrente ao lugar de líder do PSD - com um ticket que incluísse o nome de Marcelo como candidato a primeiro-ministro - já vinha a ser falada, perante a indisponibilidade do comentador social-democrata para assumir um partido dividido. António Capucho, o conselheiro de Estado que é presidente da Câmara de Cascais, foi o primeiro nome a ser sondado para o efeito, no mês passado. A intenção do grupo que o pressionou era precisamente a de que Capucho fosse apenas líder do partido, para que no dia em que o PSD vencesse as eleições e formasse governo, o primeiro-ministro se pudesse chamar Marcelo Rebelo de Sousa. Porém, Capucho terá resistido a aceitar a candidatura, por ter dúvidas em relação a soluções bicéfalas.

Na leitura do próprio Marcelo nunca deverá haver eleições legislativas antes das presidenciais - ou seja, só terão lugar em meados de 2011, depois da esperada reeleição de Cavaco Silva. A um ano de distância, a solução bicéfala seria uma forma de poupar o futuro candidato do PSD a primeiro-ministro.

O i vai fazer o comentário em directo - em ionline.pt - do congresso do PSD do próximo fim de semana. Vasco Campilho, Rodrigo Adão da Fonseca e Nuno Gouveia são os bloggers de serviço.


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