O humor (e a música!) de Raul Solnado
por António Pires, Publicado em 11 de Março de 2010
SE HERMAN JOSÉ e os Gato Fedorento foram os grandes nomes do humor feito em Portugal nas últimas três décadas, antes deles os reis do humor foram os grandes actores da época clássica do nosso cinema (António Silva, Vasco Santana, Ribeirinho) e, já mais na televisão e no teatro e não tanto no cinema, Raul Solnado. Com uma imaginação delirante, um sentido de humor finíssimo e um timing perfeito em muitas das suas criações, Raul Solnado foi, ainda por cima, um exemplo de coragem quando, só para dar dois exemplos óbvios, fintava a censura e falava da Guerra Colonial de forma implícita em rábulas como "A Guerra de 1908" e "É do Inimigo?" - não por acaso, o seu programa "Zip-Zip" (com Carlos Cruz e Fialho Gouveia) levou à televisão, anos depois, cantores de intervenção como José Jorge Letria, Manuel Freire ou Francisco Fanhais. Agora, e em boa hora, a Valentim de Carvalho/iPlay editou uma caixa com três CD protagonizados por Raul Solnado, "Façam o Favor de Ser Felizes". Nela encontramos rábulas históricas, sketches do "Zip-Zip", números de revistas e algumas canções raras de Solnado. Ele que podia ser o fadista gingão de "Fado Maravilhas", o cantor de flamenco com um inesperado "duende" latino-americano a interpretar "El Meson del Gitano", o heterónimo contestatário com o improvável nome Ludgero Clodoaldo, em "Senhor, Estou Farto", ou as personagens que encarnou no teatro de revista em "Flausinas", "Chamei-lhe Mamã, Chamei-lhe Papá" e os clássicos absolutos "Timpanas" e "Os Tripeiros".Jornalista.
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