Fórmula 1

Rookies na F1. Objectivo é não cair no poço do elevador

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 11 de Março de 2010   
HRT só vai ter o carro em pista pela primeira vez esta sexta-feira. "Está tudo doido? Este é um desporto perigoso", avisa David Doulthard
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Na semana passada, Stirling Moss abriu a porta do elevador, deu o passo em frente, e caiu no buraco de três andares. O antigo piloto inglês, 80 anos e quatro vezes vice-campeão do mundo, estreou-se na F1 em 1951 e foi sempre um homem preparado para os perigos, menos para o inesperado. O Mundial-2010 arranca no Barém este fim-de-semana e o que se teme é mais ou menos o mesmo: que as novas equipas não tenham noção de onde se estão a meter.

"O meu conselho é simples: andem o mais depressa possível... a coisa mais perigosa que se pode fazer na F1 é andar devagar na linha de corrida", disse David Coulthard, ex-Williams, McLaren e Red Bull. A Ferrari já tinha alertado para os problemas que as novas equipas podem trazer à F1 e os testes de pré-temporada confirmaram os receios: estão lentas. Virgin e Lotus chegaram a ter desvantagem de seis segundos por volta, relativamente ao topo do pelotão. A HRT, de resto, nem sequer conseguiu juntar orçamento para pôr o carro em pista e os seus pilotos - os novatos Bruno Senna e Karun Chandhok - terão o primeiro contacto sério com o carro apenas esta sexta-feira, já em cima do Grande Prémio do Barém. "Este ano vão existir dois campeonatos: um entre as equipas da frente e outro entre as que andam lá atrás", disse Felipe Massa, da Ferrari. Coulthard foi mais longe: "A F1 não é uma escola onde se aprende a acabar corridas. Está tudo doido? Este é um desporto perigoso mesmo quando corre bem."

DISCOS E TUPPERWARES A F1 devia caminhar para custos controlados e a chamada de novas equipas fazia parte desse plano: mostrar que é possível andar depressa e gastar pouco dinheiro. Foi assim que apareceram adultos endinheirados com vontade de brincarem às corridas. Richard Branson, o excêntrico milionário que começou a fortuna a vender discos guardados no porta-bagagens do carro, lançou a Virgin para as pistas. No primeiro teste da época a asa dianteira do carro soltou-se e logo se percebeu que havia um defeito na construção do monolugar. A Lotus, patrocinada pelo indiano Tony Fernandes, patrão da Air Asia que em criança acompanhava a mãe nas reuniões de Tupperware, conseguiu reunir dois bons pilotos (Jarno Trulli e Heikki Kovalainen) mas falta-lhe velocidade. "Acabar corridas nos pontos? Não posso fazer milagres", disse Trulli.

Sobra a HRT. Há duas semanas o projecto da primeira equipa espanhola estava totalmente parado. Sabia-se apenas que contava com os patrocínios de Bruno Senna, o mediático sobrinho de Ayrton. Mas depois chegou o dinheiro de José Ramón Carabante, um empresário que já estava ligado ao desporto, no basquetebol - patrocinava o Club Baloncesto Múrcia.


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