Tudo começou em 2005, quando Malcom Glazer e os seus filhos tomaram conta do Manchester United. O clima de insatisfação começou desde logo a crescer e reforçou-se com a dura realidade das contas do clube. Os red devils têm um passivo de 716 milhões de libras (cerca de 897 milhões de euros) e pagaram 41,9 milhões (46 em euros) de juros só no último ano.
Agora, com o fim da época a aproximar-se, são cada vez mais os adeptos do United que pensam seriamente em não renovar o bilhete de época. Além da insatisfação geral com a gestão de Glazer - criticado igualmente por vender Cristiano Ronaldo ao Real Madrid, o aumento significativo do preço dos lugares cativos coloca vários pontos de interrogação entre os fãs, mesmo nos que sempre foram fiéis. Aliás, o preço médio de um bilhete de época para o Old Trafford passou de 487 para 722 libras este ano (ou seja, de 535 para 792 euros) - uma subida de quase 50% face à época anterior.
Os protestos sucedem-se e o próximo está marcado para esta noite, no regresso de David Beckham ao estádio que o viu nascer e consagrou com jogador de topo. Se esta noite assistir ao Manchester United-Milan, não estranhe se vir as bancadas despidas ao longo dos primeiros dez minutos. Depois, se por acaso der conta de uma onda de adeptos vestidos de verde e dourado a assumir os seus lugares, também não se deixe ficar estupefacto: faz tudo parte de mais uma acção de protesto. O verde e o dourado representam as cores dos primórdios do United.
De resto, há já um grupo com larga base de apoio, chamado Red Knights (Cavaleiros Vermelhos), que procura uma forma de comprar o clube aos Glazers.
Se o Manchester United continuar nas mesmas mãos e os adeptos levarem avante a ideia de abdicar dos lugares de época, o protesto pode custar perto de 80 milhões de euros aos cofres do clube. Por enquanto, a bilheteira é responsável pela maior fatia das receitas do clube inglês - 127,7 milhões num total de 327, de acordo com o relatório divulgado recentemente pela Deloitte.




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