O diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), José Reis, encara com “perplexidade” a decisão do governo adiar, por dois anos, a construção da ligação ferroviária de alta velocidade no eixo Lisboa-Porto-Vigo.
“A suspensão do investimento no TGV não deve ser vista como algo que tem um significado local ou regional” e deve ser interpretada “em dois planos, que me causam alguma perplexidade”, disse, hoje, à Agência Lusa, aquele professor da FEUC.
A decisão do governo contribui, antes de mais, “no quadro geral de uma opção do PEC” (Programa de Estabilidade e Crescimento), para “uma redução do investimento e, especialmente, do investimento público”.
Ao cortar no investimento público, Portugal vai, “seguramente, ter maiores problemas na retoma da economia”, pois, “mesmo nos seus ciclos de menor crescimento, a nossa economia depende muito do investimento público”, acrescentou.
Num segundo plano, a suspensão daquele eixo do TGV, prejudica a qualificação do país na “infraestruturação do seu território”, particularmente de uma área que é “essencial para a sua competitividade internacional”.
Essa área, “a plataforma urbana litoral”, compreendida entre Lisboa e Porto, “depende criticamente, para se qualificar, de formas de mobilidade modernas”, sublinhou o diretor da FEUC.
Tendo a ver com o conjunto do país, uma decisão deste tipo não deixa, contudo, de ter “incidência em casos concretos, com o sucede com Coimbra”.
Esta cidade faz parte dessa “plataforma urbana que precisa de conquistar competitividade, designadamente, para ajudar o país a ombrear, por exemplo, com Espanha”.
Quando se chega a Coimbra sobressai a “baixíssima qualidade das suas infraestruturas de transportes, a começar, por exemplo, mas não apenas, pela estação ferroviária”.
Investimentos como no TGV permitiriam “superar esse enorme défice”, mas, ao serem adiados, “contribuem para que continuemos com o nosso território pouco qualificado”.
Ao contrário do que se possa pensar, frisou ainda José Reis, “nestes tempos de constrição orçamental, esse adiamento não é irrelevante - são as nossas questões de médio e longo prazo que estão a ficar em causa”.




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