Dez dissidentes cubanos pediram hoje ao presidente brasileiro que interviesse junto do seu homólogo de Cuba, Raúl Castro, para que o jornalista Guillermo Fariñas termine a greve de fome e sede que dura há 13 dias.
Em Brasília, contudo, um porta-voz da Presidência da República fez saber que Lula da Silva ainda não tinha recebido qualquer carta destes dissidentes.
Na carta dirigida a Lula da Silva, entregue na embaixada brasileira em Havana, os autores escrevem: "Cremos que o vosso desempenho regional e mundial, a vossa credibilidade, as vossas relações privilegiadas com as autoridades de Cuba e a vossa abertura a todos os setores da nossa sociedade poderiam permitir que o nosso compatriota Guillermo Fariñas abandone a sua greve de fome e sede."
"Cremos", acrescentam, que "pode intervir junto do governo cubano para acabar com uma situação que perturba os esforços de criação de uma verdadeira Comunidade de Estados da América Latina e das Caraíbas, centrada nos direitos dos seus cidadãos".
Os dissidentes manifestam-se ainda preocupados com a posição do governo de Cuba, manifestando-se mesmo pessimistas quanto às consequências.
Escrevem na carta dirigida a Lula da Silva: "A reação do governo cubano a esta greve, difundida pelo diário Granma [órgão oficial do partido comunist cubano], faz temer o pior dos cenários depois das tentativas infrutíferas de dissuasão da parte de ativistas cubanos e de diplomatas da União Europeia."
O governo cubano, através do Granma, disse, na segunda feira, recusar a "chantagem" do jornalista, que está em greve de fome e sede para reclamar a libertação de 26 prisioneiros políticos que estão doentes, e atribuiu-lhe "a inteira e única responsabilidade pelas consequências" do seu jejum.
A última visita do presidente brasileiro a Cuba, próximo dos irmãos Fidel e Raúl Castro, coincidiu, para seu grande embaraço, com a morte de Orlando Zapata.
Este prisioneiro político cubano, de 42 anos, morreu em 23 de fevereiro, num hospital de Havana, após estar em greve de fome durante dois meses e meio.
Pouco depois desta morte, Guillermo Fariñas iniciou uma greve de fome e sede no seu domicílio, em Santa Clara, a 270 quilómetros a este de Havana.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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