Menos de seis meses depois das legislativas, o Governo que temos está desorientado, desgastado, desacreditado. Muitos responsáveis do actual PSD já culparam o povo, essa massa ignara, pela reeleição de José Sócrates. Mas talvez devessem olhar-se ao espelho antes de disparar a crítica. Porque se os portugueses castigaram o PS por quatro anos de mau governo, também rejeitaram um PSD que não soube passar uma mensagem de mudança.
Vendo o PEC agora apresentado, há que dar razão ao eleitorado: a grande distinção entre o PSD de Ferreira Leite e o PS de José Sócrates – essencialmente as obras públicas – dissipou-se em seis meses. Os portugueses não quiseram uma alternância porque aquilo que esperam é uma verdadeira alternativa às políticas socialistas. Uma alternativa que só o PSD pode oferecer, se souber estar à altura das suas responsabilidades.
Construir uma alternativa não-socialista exige algo mais do que diagnósticos sombrios e diatribes exaltadas. Exige que o PSD apresente um projecto claro e articulado para Portugal. Um projecto que parta de uma avaliação realista da trajectória que nos aproximou de uma ruptura económica e social. Que identifique os motores da mudança na sociedade portuguesa. Que defina orientações, objectivos e metas perceptíveis por todos. E que retome uma rota de sustentabilidade e qualificação económica, social e ambiental.
Pedro Passos Coelho preparou esse projecto, e preparou-se para o levar a cabo. Portugal merece que o PSD lhe dê a oportunidade de o fazer.
(31daarmada.blogs.sapo.pt)
Amanhã: Rodrigo Adão da Fonseca, bloguista apoiante de Aguiar-Branco




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