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Plano de Estabilidade e Crescimento obriga Caixa a mudar de estratégia
por Miguel Ângelo Pinto, Publicado em 10 de Março de 2010
CGD previa alienação minoritária dos seguros. Intenção do governo passa pela privatização total
O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) apresentado pelo governo estragou os planos à Caixa Geral de Depósitos (CGD). O plano estratégico de desenvolvimento pelo grupo previa a alienação de uma parte minoritária da área dos seguros. No entanto, as linhas gerais dos documentos, no que se refere à área das privatizações, têm como princípio a alienação total da unidade do negócio de seguros da Caixa.
Em declarações exclusivas ao i, Fernando Faria de Oliveira, presidente da CGD, lembra que desde o início do seu mandato estava prevista "a possibilidade de constituir uma holding abrangendo o sector segurador e de realizar uma IPO (oferta inicial de acções) sobre essa holding - isto é, alienar parte do capital daquilo que é a indústria seguradora", frisando que esse projecto inicial "previa a alienação de uma parte minoritária". Os planos precisam agora de revisão, tendo em conta as intenções do governo de José Sócrates.
Faria de Oliveira prefere manter alguma cautela em relação ao que o futuro próximo pode trazer ao sector e às repercussões que a aplicação do PEC poderá ter no grupo que dirige. Ao i, o presidente da CGD diz preferir esperar para ver, recusando traçar cenários sobre a matéria. "Vamos ver o que acontece na realidade, até porque o PEC, sobre esta matéria, não é ainda definitivo. Temos de perceber muito bem se se mantém a ideia presente no nosso plano estratégico ou se o governo entende que se deve ir mais longe", acrescentou.
Apesar de reafirmar a importância do sector segurador no contexto do grupo CGD, Faria de Oliveira diz-se, no entanto, "confiante na escolha da solução que melhor irá servir os interesses do Estado e, obviamente, da Caixa Geral de Depósitos".
E quanto ao PEC no seu todo? Faria de Oliveira sublinha a importância do plano, lembrando tratar-se de um documento "determinante para a fase actual da economia portuguesa e mundial". No entender do líder do maior banco nacional, "é preciso que os mercados e observadores internacionais, como as agências de rating, olhem para o nosso PEC como algo credível, ou seja, algo que é mesmo para realizar e que nos deixará ao abrigo de situações mais delicadas".
Daí que defenda uma atitude proactiva dos diferentes agentes da sociedade. Para Faria de Oliveira, Portugal tem dois eixos fundamentais a que deve dar atenção: o crescimento económico e a competitividade, o que exige, diz, "um novo paradigma económico". A aposta no modelo exportador, obrigando a uma alteração no modelo de negócio das empresas, a inovação e o empreendedorismo ou a procura de uma maior notoriedade internacional, através do fomento de marcas nacionais com visibilidade externa, são alguns dos caminhos que o presidente da Caixa defende.
Foi essa a mensagem que quis transmitir ontem em Vila Nova de Gaia, onde assinou dois protocolos de colaboração com a autarquia - tendo em vista o acesso ao crédito em condições preferenciais aos moradores de Vila d'Este e do Centro Histórico da cidade - e apresentou o Fundo Gaia Douro, um fundo especial de investimento imobiliário fechado, desenvolvido através de uma parceria entre a Fundimo (grupo CGD) e a autarquia liderada por Luís Filipe Menezes. Com uma carteira de 19 activos destinados a venda e arrendamento, o fundo visa potenciar áreas como a habitação, o comércio e as instalações empresariais. Resta aguardar que apareçam interessados.
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