Moda

O próximo Inverno decide-se em Paris

por Vanda Marques , Publicado em 10 de Março de 2010   
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Os termómetros dos estilistas estão finalmente em sintonia com o resto dos mortais. A prova é a invasão de malhas grossas e peles na Semana da Moda, Outono/Inverno 2010/2011, em Paris, que começou no dia 3 e termina amanhã. A casa Chanel é um dos exemplos. A passarelle foi transformada no Pólo Norte, com glaciares e modelos a caminhar sobre poças de água. Como disse Karl Lagarfeld, responsável pela colecção, não se trata de um desfile sobre o aquecimento global, mas sobre o arrefecimento global. "Já viu que este Inverno nunca mais acaba", comentou com a jornalista do "Telegraph".

Fátima Cotta, directora da "Elle", esteve no desfile e ficou fascinada com o que viu. "A mise-en-scène foi fantástica e a colecção é deslumbrante, com peles, malhas grossas. Foi pensada para Invernos rigorosos", contou ao i por telefone, durante um dos intervalos dos desfiles. Essa será a tendência que mais rapidamente cairá nas ruas, defendeu Fátima Cotta.

Mas se acha que as malhas vão servir para esconder as gordurinhas extra, esqueça. Continua a ter razões para não exagerar nos doces e seguir à risca o plano de treino no ginásio. As saias querem-se bem curtas e as calças justas. "As calças acompanham a linha das pernas. É roupa para pessoas com boas proporções. Pernas bem-feitas, rijas, bem estruturadas", defende o personal stylist, João Ribeiro.

Outra tendência que se viu nas semanas da moda de Milão, Londres, Nova Iorque e agora Paris são as peles."O retorno das peles é inevitável. Ao contrário dos activistas anti-peles, as pessoas não estão nada viradas para aí. O clima extremo obriga a isso", explica João Ribeiro. Mas o estilista Karl Lagarfel prova que a pele falsa pode ter uma óptima relação com alta costura. "Este desfile é o triunfo da pele falsa. Estas peles mudaram tanto e tornaram-se tão boas que quase não se percebe a diferença", esclareceu o criador à saída do desfile de ontem.

palavras de ordem Militar, étnico, tribal e glam rock. Espera-nos um Inverno muito eclético, mas há uma tendência comum: pouco romantismo. "Há uma elegância mais forte, muito urbana, não é tempo de mulheres delicadas e românticas", explica o produtor de moda da "Máxima", Paulo Gomes, que assinala ainda que se mantém a brincadeira com os volumes, na zona das ancas e ao nível dos ombros. O lado tribal e étnico reflecte-se nos acessórios, nos tecidos naturais e nas malhas quase artesanais.

Já Balenciaga e Balmain são as casas de alta costura mais rockers. "O glam rock permanece, com calças slim e os casacos meio militares", diz Paulo Gomes. Fátima Cotta defende que Balmain e Balenciaga vivem num verdadeiro despique, mas Balmania destaca-se. "Christophe Decarnin evoluiu muito. Conseguiu levar o lado rock para outra dimensão, sem tachas ou exageros."

A Semana da Moda de Paris termina amanhã e vai ter o privilégio de mostrar a última colecção de Alexander McQueen. No mesmo dia, a Moda Lisboa arranca no Terreiro do Paço e no MUDE - Museu do Design e da Moda.



Paris Outono/Inverno 2010-2011


Glam Rock Christophe Decarnin aposta num estilo militar cruzado com o rock. Casacos militares com ombros volumosos, correntes, mas num tom mais discreto do que no Verão. O dourado também está presente. Os vestidos são sempre muito justos.


Minimalismo Elegante e minimal. Formas simples, mas sensuais, foi o que Phoebe Philo propôs para este Inverno. Volume nos ombros é uma tendência que se mantém.


Étnico O enfant terrible, Jean Paul Gaultier, foi buscar inspiração às tribos africanas e ao folclore de vários países, como o Uzbequistão. As peças são sempre coloridas e exuberantes. Vale tudo de turbantes a capuzes.


Brilho exótico Alber Elbaz criou um mundo de fantasia no seu desfile, com empregados a servir champanhe, inspirado em Hollywood. Na colecção, os ombros querem chamar a atenção, mas também há cristais e mistério.  


Rock futurista A ideia da casa Balenciaga, com Nicolas Ghesquière, foi de nos mostrar o futuro. Tecidos criados em laboratório, juntando plástico e até seda, num estilo rocker. Os sapatos destacam-se. São peças inovadoras que parecem esculturas.


Malhas Os tons naturais, do mel ao castanho, com uma aposta clara nas malhas. Camisolas, casacos e fatos completos feitos de lã são as propostas de Hannah MacGibbon.


O reino das peles A inspiração foi o frio, mas não é isso que impede Lagarfeld de criar peças sensuais. Calções curtos, camisolas de malha grossas e botas de pelo. Tudo feito com pele falsa.


O que não pode faltar no seu armário:

Mulher
•  Casaco em pelo ou com aplicações em pelo
•  Casaco de malha grossa
•  Calças slim
•  Calças wide leg (perna larga)
•  Vestido com aplicações douradas ou tops dourados dão um look chique
•  Coletes aparecem muitas vezes a substituir os casacos
•  Sapatos rasos, tipo masculino (oxfords) e os sapatos compensados continuam


Homem
•  Casaco de pele com bolsos
•  Botas da tropa  
•  Calças clássicas em tweed – para serem usadas tanto num look mais clássico – com camisa e pullover de decote em V – como num mais casual com botas por fora
•  Casaco de malha grossa num tom neutro
•  Camisa de xadrez, ideal para ser usada em sobreposições, com T-shirt por baixo, lisa ou de riscas, aberta ou fechada até meio.

Helena Penteado – Let’s Shop



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