O presidente brasileiro, Lula da Silva, disse hoje que as sanções contra o Irão podem levar a uma guerra no Médio Oriente.
"Não quero que se repita no Irão o que aconteceu no Iraque", afirmou o presidente brasileiro, numa entrevista à Associated Press, seis dias após o governo brasileiro ter discordado, durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a Brasília, da aplicação de sanções contra o país islâmico.
O Brasil acredita que ainda há possibilidade de uma solução negociada entre o Irão e a comunidade internacional e pede flexibilidade de ambas as partes.
"O Brasil tem autoridade moral e política para discutir o assunto, porque pertence a um continente em que está abolida a possibilidade de ter armas nucleares", destacou Lula da Silva, lembrando que seu país enriquece urânio para fins pacíficos.
Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, que são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e acreditam que os iranianos estão a desenvolver armas nucleares, defendem as sanções, assim como a Alemanha.
Já a China, o quinto membro permanente do Conselho de Segurança, bem como a Turquia e o Brasil, membros rotativos daquele organismo, opõem-se às punições contra o Irão.
Segundo declarações de Hillary Clinton em Brasília, o Irão está a "contar histórias diferentes" àqueles estes três países para evitar as sanções.
Neste final de semana, Lula da Silva embarca para o Médio Oriente, onde visitará Israel e os territórios palestinianos e, em maio, o presidente brasileiro visitará o Irão, em retribuição da visita do presidente Mahmud Ahmadinejad ao Brasil, em novembro do ano passado.
O chefe de Estado brasileiro disse que vai tentar convencer Ahmadinejad a retomar as negociações com os países ocidentais.
"Eu já lhes disse [aos iranianos] que uma guerra deve ser evitada a todo custo", salientou Lula da Silva à Associated Press.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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