Granadeiro: negócio gorado com a TVI é “página negra” de ingerência política em empresas privadas
Publicado em 09 de Março de 2010
Henrique Granadeiro não tem dúvidas: o “negócio gorado” entre a Portugal Telecom (PT) e a Media Capital para a compra de uma participação minoritária na TVI “é uma página negra da ingerência política em empresas de capitais privados”.
Depois de assegurar que nunca falou com o primeiro-ministro sobre o negócio até à véspera do anúncio do veto governamental a essa operação, o presidente da operadora assegurou que não teve qualquer pressão do governo para comprar a TVI. Mas, no sentido contrário, “houve pressões de todos os lados para não comprar”.
“É uma página negra da ingerência politica numa empresa privada”, acusou, recordando ainda que a golden share que o Estado detém na PT “não permitia vetar o negócio”. “Numa aquisição desta natureza só pode vetar matéria que necessite de aprovação da assembleia-geral, o que não era o caso”, frisou.
Na sequência destes esclarecimentos, Granadeiro foi mais longe e criticou os “eunucos que falam do negócio sem ter feito nenhum e que defendem que o primeiro-ministro tinha de saber” das conversações entre a PT e a TVI. “A minha experiência e prática dizem que quem pergunta o que não deve, arrisca-se a ouvir o que não quer”, ironizou, recordando de seguida a intervenção do governo de Durão Barroso, através do ministro Morais Sarmento, na Lusomundo Media, então detentora de títulos como o DN, JN ou TSF. “Eu vendi a Lusomundo Media sem informar o governo, apesar da apetência e dos esforços do governo de então para a instrumentalização. Não estarão esquecidos da minha demissão da Lusomundo Media. Se estão esquecidos, eu não estou”, disse aos deputados da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura.
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