Memória
George Best. A lenda do quinto Beatle nasceu em Portugal
por Rui Miguel Tovar, Publicado em 10 de Março de 2010
A 9 de Março de 1966, o Manchester United deu 5-1 ao Benfica na Taça dos Campeões, com dois golos de Best nos primeiros 11 minutos
Música, maestro! George Best, o jogador que inventou o futebol rock and roll com o seu reportório mágico de fintas, ficou imortalizado como o quinto Beatle. Longe de ser um caso singular (lembrar o empresário Brian Epstein) e até único (houve mais um Best - o Pete, primeiro baterista do grupo inglês de Liverpool), George tem a particularidade de se ter juntado aos Fab Four por cortesia da imprensa desportiva portuguesa, a 10 de Março de 1966, no dia seguinte à inesquecível goleada do Manchester United ao Benfica, por 5-1, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus.
Eram os fervorosos anos 60 e o Benfica de Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto, entre outros ilustres, sonhava com mais uma final europeia, a exemplo de 1961, 1962, 1963 e 1965. Em Old Trafford, o Manchester United ganhara por apertados 3-2, com José Augusto a abrir o marcador e Torres a fechar de maneira curiosa, a correr da baliza até ao meio-campo com os braços levantados e a bola entre as mãos. Pelo meio, Herd, Law e Foulkes ditaram a lei do factor casa.
Em desvantagem por apenas um golo, era legítimo ao Benfica pensar em dar a volta à eliminatória na Luz. Os adeptos acorreram em massa, como era habitual (naquela altura, os jogos em território nacional não eram transmitidos pela RTP, apenas os do estrangeiro), e encheram a Luz, ávidos de ver mais um recital dos vermelhos. E assim foi... O problema é que os vermelhos naquela noite foram os de Manchester - o Benfica alinhou de branco.
MVP Aos seis minutos, livre para o United e cabeceamento de Best para o 1-0. Aos 11', o guarda-redes inglês põe a bola no meio-campo do Benfica, onde Best domina e acelera para o 2-0, após ultrapassar três adversários num abrir e fechar de olhos. Daí para a frente, Best é um espectáculo só, capaz de calar o Inferno da Luz, da acção mais insignificante, como um simples lançamento lateral, à mais trabalhada, como os sucessivos dribles na marca de penálti. Ao intervalo, os jornalistas constatam que os jogadores da equipa inglesa bebem cerveja destemperada com sumo de laranja e gin, enquanto os benfiquistas ingerem os habituais sumos e chá. Com álcool no corpo, Best continua à solta.
Na segunda parte, ele corre, finta, remata e obriga Costa Pereira a dois golpes de rins para evitar um resultado ainda mais desnivelado. Com essa exibição de luxo, que culmina magistralmente com dois golos em quatro minutos, George Best entrou para a história do United e até dos Beatles.
Os jornais portugueses destacam a proeza de Best e alcunham-no de quinto Beatle nas manchetes, algo que o norte-irlandês nunca mais esqueceu e sempre agradeceu. "Foi, de facto, o jogo que mudou a minha vida. Esse jogo com o Benfica revelou-me para toda a Europa. E os jornais portugueses chamaram-me quinto Beatle. A partir daí, essa alcunha ficou colada a mim", conta Best, entretanto falecido em 2005, num documentário oficial do Manchester United.
John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr aprovaram a eleição portuguesa, que rapidamente se alastrou por Inglaterra. "Ele que venha tocar connosco um dia", sugeriu Lennon, ao que Best respondeu: "A minha música é no campo." Música, maestro.
Veja a magnífica exibição de Best na Luz:
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