Moniz distribui acusações: quiseram "alterar o carácter da TVI"
por Adriano Nobre, Publicado em 09 de Março de 2010
Moniz garante que administrador da Media Capital era “muito pressionado” pela Prisa e pelo governo
Um discurso repleto de acusações. Com o verbo “pressionar” a pontuar a maioria das declarações. O ex-director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, acusou esta tarde o governo e a administração da Prisa de terem tentado alterar o “carácter da TVI”, através de condicionamentos à linha informativa do canal.
“O administrador Miguel Gil chegou a falar-me de pressões ao mais alto nível em Espanha. Nunca percebi se eram a nível governamental ou da casa real espanhola. O próprio Miguel Gil já achava excessivos os protestos e observações ao nosso trabalho”, contou esta tarde Moniz, na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, garantindo que sempre respondeu ao administrador que “não cederia” nos pedidos de suspensão do Jornal de sexta. “Se queriam mudar as coisas ou me demitiam ou rescindiam o contrato”, apontou Moniz.
O antigo director-geral da TVI revelou mesmo que o administrador Bernardo Bairrão, entretanto nomeado CEO, “foi repetidamente” ao seu gabinete, “com um ar desesperado e destroçado”, para contar-lhe as pressões que enfrentava por parte dos administradores da Prisa Juan Luís Cébrian e Manuel Polanco, para suspender o noticiário apresentado por Manuela Moura Guedes. “Começava a revelar-se impotente. Ele queria a continuação do jornal, mas estava a ser pressionado e não conseguia encontrar uma saída”, explicou Moniz aos deputados.
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