Manuel Alegre defende que todos os militares mortos em África deviam regressar a Portugal

Publicado em 09 de Março de 2010   
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Se fosse Presidente da República, Manuel Alegre faria “um grande esforço” para que todos os militares que morreram em África pudessem regressar a Portugal, disse o poeta em Nambuangongo, Angola.

Foi em Nambuangongo que o autor de “Jornada de África” cumpriu parte do serviço militar, onde chegou em 1962 e voltou agora, 48 anos depois, para se “emocionar muito” ao ver a campa de um soldado morto em combate no ano em que chegou a este “lugar de morte e sofrimento” como alferes miliciano.

Manuel Alegre, sublinhando que nem sequer ainda formalizou a candidatura à Presidência da República, garantiu: “Se fosse Presidente da República faria um grande esforço para que se localizassem onde estão os militares que morreram na guerra e se pudesse levá-los todos para Portugal”.

“Emocionou-me muito ver aquela campa do militar português, gostaria que todos os militares portugueses que morreram na guerra fossem para Portugal”, reiterou.

Porque a memória da guerra “acaba nesta geração ou na geração seguinte” e porque “os mais novos já não sabem o que foi Nambuangongo”, se fosse Presidente da República faria esse esforço para levar aqueles que morreram na guerra pudessem regressar à sua terra.

Manuel Alegre, que está em Angola numa visita privada, aproveitou para fazer a sua “peregrinação” a Nambuangongo, “terra de morte e sofrimento” onde viu “morrer muitos amigos”, visitou demoradamente as ruínas do antigo quartel onde esteve como militar, as camaratas onde dormiu e onde escreveu os primeiros poemas como “Nambuangongo, Meu Amor”, cantado por Adriano Correia de Oliveira e que se tornou um dos símbolos da guerra colonial.

Daquela altura, Alegre recorda, além do sofrimento, o tempo passado “a beber umas cucas (cerveja angolana)”.

“A chegada do correio era o mais importante momento dos que aqui estavam… da namorada, da mãe, e ficam na memória os momentos de cerco, por vezes um mês, a comer grão de bico com atum, coisa que hoje só de pensar fico enjoado… mas mais que tudo, esperávamos que viesse o correio…”, recorda.

O isolamento, acrescenta, “era muito duro”. “Tenho impressão que se na altura houvesse telemóveis e computadores, esta guerra tinha durado muito menos tempo”.

Manuel Alegre foi o primeiro oficial português a ser detido pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) em Angola, onde esteve preso durante seis meses, depois de ter sido compulsivamente passado à disponibilidade devido à sua postura contra a guerra colonial.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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