Estreia

A vez do teatro em 3D

por Vanda Marques , Publicado em 09 de Março de 2010   
O Teatro Oficina, em Guimarães, juntou-se à Universidade do Minho para criar uma peça inédita que usa 3D. "Pigmalião" estreia-se dia 10
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São apenas 12 minutos, tempo suficiente para revolucionar o teatro. Pela primeira vez em Portugal, o 3D junta-se a uma peça. Depois de "Avatar" e "Alice no País das Maravilhas", os palcos importaram a moda da sétima arte. Mas para "Pigmalião" foi utilizada uma tecnologia pioneira no Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho, o 3D stereo. O encenador Marcos Barbosa explica do que falamos. "É um passo à frente do normal 3D, porque nos dá o efeito de imersão total. Sentimos que o objecto está no ar e que vem na nossa direcção."

"Pigmalião" estreia amanhã, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e conta-nos a história de amor entre Pigmalião e Galateia. Pedro Mexia escreveu a peça, baseada no livro de Ovídio "Metamorfoses", que retrata o mito grego da invenção do feminino. "Pigmalião é a mais espantosa alegoria sobre a criação da mulher ideal, ou sobre o amor como invenção cultural. A metamorfose entre mármore e carne, entre arte e desejo, entre amador e coisa amada, torna este poema com dois mil anos um texto central da nossa cultura", defendeu Pedro Mexia. Pigmalião era um escultor que queria criar a estátua da mulher ideal. Quando o consegue, apaixona-se por ela. "É uma história de amor extraordinária. Ele cria uma mulher perfeita e, enquanto o amor vai crescendo, a estátua vai-se transformando. Que melhor forma de representar a metamorfose do que com a tecnologia 3D?"

ciência e teatro Para não haver confusões, esclarecemos já que não vai assistir a uma espécie de "Avatar" teatral. Ninguém está pintado de azul e não vai ficar agarrado aos óculos o tempo todo.

À entrada da sala no Centro Cultural Vila Flor, os espectadores recebem uns óculos 3D que, como sabemos, "transmitem uma imagem diferente para cada olho, alterando o ângulo de cada um deles e fazendo com que o cérebro crie a ilusão de profundidade". A meio da peça, vão receber uma indicação para os pôr e poderem assistir à transformação da estátua em mulher. O programa de computador faz com que Galateia seja um holograma até surgir a actriz.

O espectáculo tridimensional só é perceptível com os óculos, por isso, o público será alertado para o momento-chave. O encenador diz que esta é a junção perfeita entre o teatro e a ciência. "São dois mundos aparentemente opostos, mas que funcionam muito bem. O teatro tem de conversar com o que está à sua volta. Não pode ser uma peça que ninguém entende, a falar para dentro." Marcos Barbosa defende que este é apenas o início de uma parceria que pode trazer muitas outras mudanças à forma de apresentar teatro. "Queremos provocar uma maior envolvência sensorial do público. Tal como no início do cinema, as pessoas tinham medo do comboio que aparecia na tela. Essa inocência interessa-nos muito."

Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

De 10 a 14 de Março; Preço de €7,50 a €5;

Theatro Circo, em Braga, de 18 a 20 de Março; Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão, 26 e 27 de Março.


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