Opinião

A ruptura de Paulo Rangel

por Miguel Morgado, Publicado em 09 de Março de 2010   
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Nos últimos dois anos tornou-se evidente que chegou ao fim uma certa fase do regime português. Continuar como dantes tornou-se impossível. Resta saber que recursos e forças existem para superar a crise generalizada rumo a algo melhor. A meu ver, o novelo intricado que nos trouxe até ao presente impasse já não é susceptível de gentis desempeços. Uma ruptura é agora necessária. Além de Paulo Rangel, nenhum outro candidato revelou uma consciência tão apurada desta realidade e desta necessidade. E, nas actuais circunstâncias, isso já é muito.

Na medida em que essa ruptura tem de ser iniciada pelo principal partido da oposição, Rangel também acerta quando insiste que a ruptura necessária envolve o próprio PSD, o que vale por dizer que o PSD tem de encontrar e clarificar o seu lugar político no regime português. Ora, Rangel descobre no PSD uma vocação histórica para romper com as várias estruturas bloqueadoras da nossa "normalização" e do nosso desenvolvimento, e, com a sua candidatura, pretende que se reassuma a dita vocação. E isto já é muito.

A ruptura tem de ser mais que um título genérico de várias medidas sectoriais. Mas há domínios em que a ruptura se deve concretizar com urgência, como na escola e na justiça. Há tarefas que a solicitam com gravidade, como descolonizar o Estado dos partidos e das franjas obscuras dos "interesses" ou inverter a trajectória de endividamento da economia nacional. Há bens cuja salvaguarda é condição da vitalidade da democracia, como a liberdade, a responsabilidade e a mobilidade social. E isto já é muito.

Apoiante de Paulo Rangel, escreve no blogue O Cachimbo de Magritte

(cachimbodemagritte.blogspot.com)

Amanhã: Vasco Campilho, bloguista apoiante de Pedro Passos Coelho


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