Sporting
O póquer é um jogo de sorte. Os golos de Liedson nem tanto
por Rui Catalão, Publicado em 09 de Março de 2010
Quatro tiros certeiros ao Belenenses são sinal de que o 31 não perdeu o jeito para o golo. E o Mundial está à porta...
A arte de marcar golos não se vende nos supermercados, apesar de Liedson ter saltado de um deles directamente para os relvados. O avançado luso-brasileiro ficou conhecido cá no burgo, ao longo dos últimos seis anos e meio, por saber dominá-la com o requinte particular de quem ostenta uma falsa fragilidade com 1,75 metros e 63 quilos. Esta época, no entanto, nem todos parecem convencidos com Liedson. Houve momentos decisivos em que os golos não apareceram e, também por isso, os resultados do Sporting ficaram aquém das expectativas.
Os 32 anos do Levezinho podem deixar à vista um prazo de validade não muito alargado. Mas para isso o 31 leonino também tem resposta. E no domingo deu mais um exemplo de que o jeito ainda está lá por inteiro. Foi apenas o primeiro póquer de Liedson em Portugal - o segundo da carreira, depois dos quatro golos contra o Vitória ao serviço do Corinthians (1 de Junho de 2003) -, mas chegou para mostrar que o Liedson versão 2009/2010 é o mesmo que conquistou os adeptos sportinguistas quando chegou a Alvalade. E já iam três anos desde a última vez que um jogador do Sporting marcava quatro golos numa só partida. Foi - imagine só - o uruguaio Carlos Bueno, no 5-1 ao Nacional.
Enganem-se os que pensam que esta é já a pior época do luso-brasileiro no Sporting. Mesmo tendo demorado 22 jornadas a ultrapassar a barreira dos dez golos no campeonato, Liedson tem sido produtivo - e decisivo - nas taças (Portugal, Liga e Europa) e ao serviço da selecção. Aliás, Portugal dificilmente estaria agora com a cabeça na África do Sul se não fosse a testa do Levezinho a empurrar a bola para o fundo da baliza no jogo com a Dinamarca. Somando todas as competições, o registo do avançado já leva 20 golos desde Agosto.
De resto, basta um golo para Liedson igualar o seu ano menos afortunado: em 2007/2008 marcou apenas 11 golos no campeonato, 21 no total. Pela lógica natural, não será difícil bater esse número. Sobretudo se Liedson embalar para uma recta final de temporada recheada de tiros certeiros. Oportunidades não devem faltar, até porque o Sporting ainda tem pelo menos dez jogos por disputar até o 31 seguir para o Mundial.
EXPERIÊNCIA ÚNICA Na África do Sul, Liedson vai poder defrontar jogadores dos campeonatos onde sempre sonhou competir. E, claro está, terá pela frente o seu Brasil, num jogo que promete mexer com as emoções do jogador. Liedson reconhece já sentir um "friozinho na barriga", não por defrontar a canarinha, mas pela sensação de estar à beira de participar numa competição como esta.
Ainda assim, num frente-a-frente estatístico com os avançados brasileiros que vão estar no Mundial, Liedson segue com uma (ligeira) vantagem numérica. O flamenguista Adriano leva 19 golos (e compete no Brasileirão, que agora está parado). Luís Fabiano (Sevilha), melhor marcador da última Taça das Confederações, tem o mesmo registo, enquanto Nilmar soma até agora 15 golos no Villarreal.
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