O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, acusou hoje o Governo de discriminar negativamente o Porto e o Norte no corte de investimentos decidido no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), nomeadamente quanto ao TGV.
"Para ser "coerente", o Governo "não para os investimentos públicos" ou, então, "para-os todos", afirmou o autarca numa declaração aos jornalistas.
"O Governo andou a dizer que a recuperação da economia se faria pelos grandes investimentos. E aquilo que vem agora dizer é que vai manter os grandes investimentos em torno da capital e corta nos que estão a norte de Lisboa", frisou o também vice-presidente social-democrata.
Ao anunciar hoje as grandes linhas do PEC, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, avançou que a construção das linhas de alta velocidade entre Lisboa e Porto e entre Porto e Vigo será adiada por dois anos.
Mantém-se, contudo, o investimento na linha Lisboa-Madrid e no novo aeroporto de Lisboa.
"Isto não faz sentido rigorosamente nenhum, principalmente vindo da boca de um ministro das Finanças que, enquanto candidato à Assembleia Municipal do Porto, ainda há poucos meses atrás dizia que o Porto está moribundo", disse Rui Rio.
Ora, prosseguiu o autarca, "se o Porto está moribundo, no pensamento dele, ao tomar esta atitude ele ainda quer que o Porto e o Norte fiquem mais moribundos".
"É esta a coerência do seu pensamento", ironizou.
A declaração de Rui Rio surgiu um dia antes de o autarca se encontrar com o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, precisamente para debater alguns investimentos a Norte.
Rio manifestou-se convicto de que António Mendonça nada poderá fazer para evitar decisões que surgem "a uma escala maior".
Ainda assim, o autarca espera obter resultados favoráveis ao que considera ser os interesses da região, nomeadamente quanto à regionalização da gestão do Aeroporto Sá Carneiro.
Outra matéria a discutir com o ministro será a introdução de portagens nas vias até agora sem custos para o utilizador (SCUT).
Rio disse, a propósito, que só aceita as portagens se se tratar de uma "política transversal, de Valença ao Algarve".
No passado dia 03, o autarca do Porto e o seu homólogo de Vigo, Abel Caballero, reclamaram celeridade no processo de construção de uma nova ligação ferroviária entre as duas cidades e exigiram que seja em alta velocidade.
O autarca e presidente da Junta Metropolitana do Porto reconheceu na altura que, "enquanto político nacional", sempre defendeu que Portugal protelasse os grandes investimentos, tendo em conta a situação económica do país e a sua elevada dívida pública.
"Mas o governo eleito decidiu fazer os investimentos e, agora a minha obrigação, como político regional, é exigir que se faça no Norte os mesmos investimentos que se fazem a sul", declarou, a propósito da sua coerência sobre a matéria.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico




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