Liga dos Campeões

Arsenal. Um adversário de peso para uma ressaca de Porto

por Rui Miguel Tovar, Publicado em 09 de Março de 2010   
Há 62 anos os dragões espantaram a Europa com vitória sobre os mestres do futebol (3-2) e até ganharam uma taça com 300 quilos
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A UEFA ainda não existia e a Taça Latina, precursora da Taça dos Campeões, nem sequer estava a ser equacionada. Estávamos em Maio de 1948, quando o Arsenal, campeão inglês, visitou Portugal, a convite de dois clubes nacionais, para fazer dois particulares. Um em Lisboa, o outro no Porto.

A expectativa era enorme, porque os londrinos eram considerados os magos da bola, a melhor equipa do planeta, treinada por Tom Whittaker e capitaneada por Joe Mercer. Além disso, ainda estava bem fresca na memória a goleada de 10-0 imposta pela selecção inglesa à portuguesa, em Maio do ano anterior. No dia 3 de Maio, o Arsenal despachou o Benfica por 4-0. Três dias depois, o jogo no Estádio do Lima, casa do Académico do Porto, emprestada ao FC Porto para os grandes jogos.

Os bilhetes para o jogo custavam 80 escudos e o estádio engalanou-se para receber o ilustre visitante. Aos 20 minutos, já havia 3-0 para o FC Porto, com um golo de Araújo (9') e dois de Correia Dias (18' e 20'), um possante avançado na verdadeira acepção do termo (pesava mais de cem quilos). O resultado manteve-se assim até ao intervalo. Na segunda parte, o Arsenal atirou-se à baliza de Barrigana mas só o enganou por duas vezes.

A surpreendente vitória portista deu que falar em toda a Europa, com epicentro na Invicta, ao ponto de seis sócios (Eduardo Soares, José Moreira, Ivo Araújo, Manuel Ferreira, Elói da Silva e Torcato Plácido) encomendarem, mais de um ano depois, em Outubro de 1949, a construção de uma taça magnífica, no valor de 200 contos, com 2,80 metros de altura e 300 quilos de peso.

Para a concepção de tão bela obra de arte, os artesãos da Ourivesaria Aliança utilizaram todo o tipo de materiais, como ouro, prata, esmalte, cristal, madeira fina e veludo. Majestosa e gigantesca, ela não está exposta no museu do clube.

Para a história aqui vai a equipa portista: Barrigana; Alfredo e Francisco; Virgílio, Romão e Joaquim; Lourenço, Araújo, Correia Dias, Gastão e Catolino. O treinador era argentino e chamava-se Eladio Vaschetto, que substituíra o húngaro Joseph Szabo ainda na pré-época. O FC Porto acabou o campeonato nacional em quinto lugar, atrás de Sporting, Benfica, Belenenses e Estoril, e foi eliminado nos quartos-de-final da Taça de Portugal pelo Barreirense, da 2.a divisão, pelo que essa taça representou o orgulho azul-e-branco de uma era sem títulos nacionais.

Já arredado do penta e mais longe da Champions 2010-2011, o FC Porto tem de apelar ao sentimento de 1948 para eliminar o Arsenal. Desta vez basta um empate mas não vale uma taça - que, por sinal, é mais leve e já está exposta no museu do FCP.

*Hoje, às 19h45, Arsenal-FC Porto na RTP1. À mesma hora, Fiorentina-Bayern na SportTV2


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