O candidato a presidente do PSD Paulo Rangel considerou hoje que "é insuficiente a informação" divulgada pelo Governo sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e que "parece ser insuficiente o plano traçado".
Durante um almoço-debate com a Associação Comercial de Lisboa, Paulo Rangel disse não ter visto no PEC, até ao momento, nenhuma medida orientada para o crescimento económico e questionou os cálculos do Governo de "6 mil milhões de euros" de receitas a obter com privatizações: "Não vejo, com os ativos disponíveis, como é que se atinge esse número".
Paulo Rangel manifestou-se a favor de "privatizações de património ocioso do Estado", de "algumas participações não estratégicas da Parpública ou da Caixa" e apontou ainda como empresas a privatizar "com certeza o caso da REN, eventualmente o caso da ANA, ou das águas".
Questionado depois pelos jornalistas sobre a diminuição dos benefícios e deduções fiscais em sede de IRS, o eurodeputado respondeu que é preciso ver o PEC "no seu conjunto".
"Se fosse orientado para o crescimento económico e, portanto, no fim, viesse a rever para as pessoas que acabam por ter de fazer mais um esforço, isso seria positivo. Se não, é apenas um agravamento fiscal e, portanto, até, de alguma maneira, uma violação de uma promessa do Governo", acrescentou.
Paulo Rangel disse que é contra "um aumento da carga fiscal ou da taxa de esforço fiscal", mas admite "que haja ajustamentos, isto é, que tenhamos de aumentar alguns impostos para depois podermos fazer, por exemplo, uma diminuição das contribuições para a Segurança Social das empresas que aliviem os seus custos de produção".
Quanto à estratégia do Governo em matéria de obras públicas, o candidato à liderança do PSD observou: "Já vi que todos os investimentos que são a Sul do Tejo se mantêm, aqueles que são a Norte do Tejo não se mantêm, o que reforça assimetrias".
"Ouvi falar do TGV, não ouvi falar aeroporto. Com alguma preocupação, também não ouvi falar sobre a situação que se pretende dar à linha Lisboa-Madrid", completou.
No seu entender, aqueles dois investimentos deveriam ser suspensos e, mesmo em termos futuros, a construção de uma ligação Lisboa-Madrid em alta velocidade, "do ponto de vista geostratégico, seria um erro, será um erro, pode ser um erro".
"Quanto à questão do TGV, eu tenho um olhar para isto geoestratégico em termos de Península Ibérica que ninguém tem. A linha Lisboa-Madrid tem desde logo, do meu ponto de vista, um inconveniente, que é pôr Lisboa no circuito de Madrid, como está Barcelona, ou Valência, ou Sevilha", disse.
Segundo Paulo Rangel, o que tem sido divulgado é "um semi-PEC, apenas metade do PEC" e "o Governo anda aqui, no fundo, num jogo de esconde-esconde", exigindo-se que dê a conhecer "em detalhe as linhas mais concretas" do documento e o apresente "ainda antes da aprovação final do Orçamento".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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