Investigadores de Coimbra projectam "casa do futuro" a baixos custos

Publicado em 08 de Março de 2010   
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Investigadores de Coimbra projetaram uma casa modular, cuja tipologia pode ser facilmente alterada em função das necessidades dos moradores, e com baixos custos de construção, foi hoje anunciado.

O projeto assenta no uso intensivo de aço leve e resulta numa “redução de 28 por cento dos custos de construção”, sendo o preço do metro quadrado 550 euros, “perfeitamente quase imbatível” para o mercado português, na opinião do coordenador, Luís Simões da Silva.

Projetada por uma equipa multidisciplinar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a vivenda, de arquitetura moderna, possui características “affordable houses” (casas acessíveis), e surge em resposta a um desafio lançado pelo maior grupo de indústria de aço do mundo – a ArcelorMittal, a grupos de investigadores de oito países, entre os quais Portugal.

O objetivo era uma habitação unifamiliar, a baixo preço, mas funcional e que cumprisse todos os requisitos técnicos, nomeadamente em termos de segurança, conforto térmico, acústico e de eficiência energética.

“A grande mais valia é que tudo isso foi conseguido a um custo baixo”, disse o investigador da FCTUC à Lusa, sublinhando que, “esteticamente, se mantém uma casa portuguesa”.

Uma das inovações é o processo modular de construção, que imprime versatilidade à casa, para que “muito facilmente evolua com as necessidades da família” que a habita.

Ao contrário do que se verifica com a construção tradicional, nesta ‘casa do futuro’ “facilmente se consegue” efetuar uma remodelação sem que os moradores tenham de abandonar o espaço.

“As pessoas num dia conseguem reformular a sua casa e passar de dois para um quarto ou aumentar um quarto porque todo o processo é modular e é muito fácil conseguir ampliar a casa, mudar a tipologia, sem ter de a abandonar”, disse o investigador.

Para que a casa fosse versátil e “funcionasse em qualquer zona de Portugal”, foi projetada para “a região sísmica mais gravosa - Sagres - e para ter neve correspondente à zona da Serra da Estrela e vento correspondente à zona costeira”, acrescentou.

Luís Simões da Silva explica que a redução dos custos comparativamente a uma casa semelhante mas de construção tradicional é possível não só porque a soma dos custos dos materiais e da mão de obra envolvida é “à partida, mais barata”, mas também porque há um “ganho de dez por cento de área útil”.

“Ao utilizarmos uma estrutura de utilização de aço intensiva, conseguimos, para o mesmo grau de isolamento térmico, ter paredes mais finas, ou seja, “para a mesma área de construção temos mais área útil, sem qualquer aumento de custo”, frisou.

“Estamos a fazer esforços para que empresas (de construção) comecem a aplicar o conceito”, disse o cientista.

Outros 15 grupos de investigadores da Índia, Brasil, China, Polónia, Suécia, Roménia, e República Checa apresentaram projetos semelhantes para o mercado dos respetivos países, em resposta ao desafio da ArcelorMittal.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



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