As duas centrais sindicais consideram que o combate ao desemprego deve ser a grande prioridade do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e que os sacrifícios que vão ser pedidos aos portugueses não podem agravar as desigualdades.
O Governo reúne-se hoje com os partidos com assento parlamentar e com os parceiros sociais para apresentar o PEC, documento aprovado na generalidade no sábado em Conselho de Ministros extraordinário e que, segundo o Executivo, garante "a estabilidade fiscal e a redução da despesa".
"A grande prioridade tem de ser o emprego e os rendimentos das pessoas. O crescimento económico e o desenvolvimento têm de ser sustentados em políticas que criem emprego, valorizem o trabalho e protejam as pessoas", afirmou o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, em declarações à Agência Lusa.
A mesma opinião é partilhada pelo líder da UGT, João Proença, que espera um documento no qual vão ser pedidos aos portugueses sacrifícios que "não podem ser desigualmente distribuídos".
"O combate ao desemprego é claramente uma prioridade. Sendo nós um país com elevado nível de desigualdades, não podem ser sacrifícios unilaterais que contribuam para agravar as desigualdades", afirmou.
Para Carvalho da Silva, as opções que o Governo assumir têm de deixar espaço para garantir ao país dinâmicas económicas de crescimento e desenvolvimento.
Por outro lado, acrescentou, é preciso "tratar" as despesas e as receitas:
"Neste país há muita riqueza que não contribui para o Orçamento do Estado. É preciso combater a fraude e a evasão e é preciso que se perceba porque é que tem havido uma quebra tão grande no IVA", afirmou, defendendo, no que toca à despesa, o fim da maior parte das parcerias público-privadas.
"É preciso uma forma transparente e rigorosa de gerir os dinheiros que se entregam ao setor privado. Os grandes investimentos também devem ser reequacionados", afirmou.
Quanto ao aumento de impostos, o secretário-geral da UGT, João Proença, disse não esperar um aumento, lembrando que o próprio Governo tem repetidamente garantido que isso não vai acontecer.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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