O Governo afirma que vai introduzir portagens em três SCUT do norte, mas os utentes opõem-se e prometem lutar até onde puderem, sobretudo por considerarem que não há estradas alternativas viáveis.
A introdução de portagens nas SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador) é um dos temas do debate que hoje se vai realizar no Porto, numa iniciativa da Geração Desafios, que contará com a participação de António Mendonça, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
Os utentes das SCUT do Norte Litoral, Costa da Prata e Grande Porto defendem que é o próprio programa do Governo que "proíbe" a introdução de portagens naquelas três vias.
O programa do Governo refere que as SCUT deverão permanecer como vias sem portagem "enquanto se mantiverem as duas condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação".
Essas condições passam por as SCUT se localizarem em regiões cujos indicadores de desenvolvimento socioeconómico são inferiores à média nacional e não existem quaisquer alternativas no sistema rodoviário.
"Se estes são os critérios, então aquelas três SCUT têm de continuar gratuitas, uma vez que se localizam em regiões cujos indicadores de desenvolvimento socioeconómico são inferiores à média nacional e não dispõem de quaisquer vias alternativas", disse à Lusa um membro de um movimento de contestação às portagens na A28.
Os utentes das três SCUT questionam ainda qual é o critério para portajar aquelas vias, quando o mesmo não acontece na Via do Infante, no Algarve, uma região com índices de desenvolvimento "bem mais elevados".
"Não dá para perceber", referiu o mesmo ativista, garantindo que os utentes "vão lutar até onde puderem" para evitar que seja posta em prática uma medida de consideram "totalmente injusta".
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações garantiu recentemente que a introdução de portagens nas SCUT vai avançar e disse que o calendário já está definido.
Disse ainda que existirão "isenções" para "trânsito local" e será também contemplada a situação do "utilizador frequente" da estrada.
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico***




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