Mulheres vítimas de violência enfrentam obstáculos da justiça

por Sónia Cerdeira, Publicado em 08 de Março de 2010   
Amnistia lança relatórios que revelam discriminação de género
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"Mãe quando é que deixas o pai? Estou farta que ele te bata." O início do trailer do filme "As Maltratadas" deixa adivinhar a história: fala sobre violência doméstica e tráfico de seres humanos. A antestreia acontece hoje às 21h30, no Cinema São Jorge, para marcar o Dia Internacional da Mulher e os 20 anos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). A realizadora brasileira Ana Campina viu o filme ser premiado, na categoria de curta- -metragem no Hollywood Brazilian Film Festival, em Los Angeles. O filme, que conta com um elenco de três países diferentes - Portugal, Brasil e EUA -, chega aos cinemas a 25 de Março.

Hoje, data em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, a Amnistia Internacional dá a conhecer uma realidade que vai além da tela. Os dois relatórios, da Amnistia demonstram que "as vítimas de violação sexual e violência doméstica que procuram justiça, enfrentam vários obstáculos, incluindo resposta inadequada ou negativa por parte da polícia e do pessoal médico e judicial". Revelam-se em discriminação de género e suposições sobre o comportamento sexual das vítimas de violação.

"A menos que a violência sexual seja acompanhada de violência física, simplesmente, não é levada a sério", afirma Widney Brown, director sénior de política e do direito internacional da Amnistia Internacional. Esta indiferença das autoridades leva a que muitas mulheres sintam vergonha ou culpa e não denunciem os crimes de que foram vítimas.

Os relatórios, que tiveram em conta países desenvolvidos (como os nórdicos) e outros em desenvolvimento, como por exemplo o Camboja, constataram que as taxas de acusação nos crimes de violação sexual estão entre as mais baixas.

Em Portugal, houve 6539 mulheres vítimas de crime, no ano passado, segundo dados da APAV.


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