Igreja Católica

Pedofilia no coro: irmão do Papa pronto para testemunhar

Publicado em 08 de Março de 2010   
Georg Ratzinger nega conhecer casos de pedofilia no coro de Ratisbona. Vaticano estremece e Alemanha promete "tolerância zero"
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Na mesma semana em que a mais influente diocese da Igreja Católica da Holanda - a de Den Bosh - alargou a comunhão a todos os seus paroquianos gay, a Igreja alemã e o Vaticano vivem em desassossego com as revelações de dois novos escândalos de pedofilia e homossexualidade.

Na Alemanha, a teia de crime e pecado alastrou a várias instituições de ensino ligadas à igreja (como os elitistas colégios de Canisius, em Berlim, e Ettal, na Baviera) e até já apanhou o irmão do Papa Bento XVI, o arcebispo Georg Ratzinger. Na diocese de Regensburg, feudo eclesiástico dos Ratzinger, soube-se que os rapazes do coro de Ratisbona foram alvo de abusos sexuais entre 1958 e 1973. Franz Wittenbrink, um dos rapazes que fez parte do maior coro católico alemão na década de 60, garantiu à "Der Spiegel" estar instituído no grupo "um sofisticado sistema de punições sádicas ligadas a lascívia sexual."

Georg Ratzinger, que liderou o coro durante 30 anos - entre 1964 e 1994 -, deu ontem um entrevista ao jornal "La Repubblica" onde reconhece ter havido "disciplina e rigor" mas nunca "terror" num coro que procurava "um alto patamar artístico e musical". E, prontificando-se para testemunhar sobre o caso, nega alguma vez ter tido conhecimento dos crimes de pedofilia no Regensburger Domspatzen: "Estarei pronto para testemunhar mas não tenho muitas informações para dar porque nunca soube de nada."

Wittenbrink não acredita que o irmão do Papa nunca tenha sabido de casos abafados durante décadas. "Insisto, nunca estive no coro quando aconteceram os casos de que agora falam", acrescenta o arcebispo. Atento, o poder político alemão prometeu "tolerância zero" aos padres predadores sexuais. "A violência e abuso de crianças na escola é a pior quebra de confiança imaginável", admitiu ontem a ministra da educação germânica.

Através do seu meio de comunicação oficial, o jornal "L'Osservatore Romano", o Vaticano prometeu fazer "justiça em nome das potenciais vítimas" e, numa manifestação de apoio à diocese de Regensburg, mostrou total "vontade para analisar esta questão dolorosa de uma forma efectiva e aberta".

A propósito da onda de escândalos, Georg Ratzinger diz sentir "uma certa animosidade em relação à igreja." No mínimo, animosidade é o sentimento de uma grande percentagem de italianos face à igreja de Roma. Desde sexta-feira que a Basílica de São Pedro estremece com as revelações sobre um caso que envolve um homem próximo do Papa, Angelo Balducci, e o coro do Vaticano.

No âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, Balducci, um "Cavalheiro de Sua Santidade" e funcionário do governo italiano, foi apanhado em escutas onde é exposto um anel de prostituição homossexual. Thomas Ehiem, um corista nigeriano de 39 anos, já confessou ter sido pago por Balducci para aliciar prostitutos. Ehiem foi expulso do coro e Balducci está, por ora, atrás das grades por suspeitas de corrupção.

No Vaticano o embaraço é evidente e por tudo isto há quem, como o Cardeal Walter Kasper, diga "Chega!" e peça "uma limpeza" na igreja.


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