PJ

Violador de Telheiras foi reconhecido por todas as mulheres

por Inês Cardoso e Augusto Freitas de Sousa, Publicado em 06 de Março de 2010   
Engenheiro numa empresa de telecomunicações, estava sob vigilância há vários dias
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A Polícia Judiciária (PJ) deteve ontem ao final da tarde o suspeito de violação mais procurado em Lisboa. Conhecido por violador de Telheiras, era procurado há quase dois anos e poderá estar relacionado com uma dezena de crimes.

É engenheiro de profissão, tem 30 anos de idade e não tinha registados antecedentes criminais. Ao que tudo indica, mora na linha de Sintra e foi reconhecido por todas as vítimas. Algumas mulheres que foram violadas estiveram ontem nas instalações da Polícia Judiciária e, apesar de o suspeito ter deixado crescer a barba, reconheceram-no nas salas próprias nas instalações da PJ.

O suspeito vai ser presente a tribunal hoje, para conhecer as medidas de coacção. Deverá ficar em prisão preventiva, uma vez que além das violações é acusado de roubo.

Fonte da PJ confirmou que durante a investigação foram recolhidas impressões digitais, um dos indícios que mais contribuíram para a identificação do jovem. Vão também ser analisados vestígios biológicos que deverão consolidar as suspeitas da Judiciária. O retrato-robô ajudou igualmente a chegar ao alegado violador.

José Braz, director-adjunto da Directoria de Lisboa da PJ, disse à Lusa que o engenheiro foi detido numa empresa de telecomunicações em Lisboa, onde trabalha. O responsável acrescentou que o suspeito estava a ser alvo de vigilância há vários dias e se entendeu ter chegado o momento adequado para a detenção.

modus operandi As denúncias que ao longo do tempo foram chegando às autoridades tinham alguns traços em comum. As vítimas eram quase sempre ameaçadas com uma faca e levadas para lugares isolados dentro de prédios, como arrecadações ou zonas junto ao telhado. Forçava-as a fazer sexo oral e há relatos de pelo menos uma situação em que o namorado da vítima foi forçado a assistir.

O caso saltou para a comunicação social no Verão passado. A 18 de Agosto, uma jovem de 17 anos procurou assistência no Hospital de Santa Maria, durante a madrugada, depois de ter sido violada. A ausência de um perito do Instituto de Medicina Legal levou a que fosse enviada para casa, com indicação para não tomar banho nem lavar os dentes durante oito horas. A polémica instalou-se e a indignação do país obrigou mesmo o ministro da Justiça a chamar os responsáveis do instituto, para analisar a falta de recursos humanos.

Há quase dois meses, a 12 de Janeiro, a PJ tinha feito outra detenção que contribuiu para acalmar os relatos mediáticos sobre violência sexual. Nessa data foi detido um de dois indivíduos suspeitos de crimes em Benfica. Um jovem, também na casa dos 30 anos, que estava em liberdade condicional desde meados de Dezembro.

Algumas das vítimas deste suspeito dedicavam-se à prostituição, o que levantou inicialmente dúvidas quanto ao enquadramento criminal e confusão com outro indivíduo que na mesma altura violou mulheres num descampado na mesma zona.

O alarme social causado pela coincidência das duas situações levou a Junta de Freguesia de Benfica a distribuír pelas caixas de correio das residências, folhetos a explicar a situação e a dar garantias de reforço da vigilância policial.

Neste caso, os investigadores chegaram ao suspeito através da análise das chamadas recebidas nos telemóveis de duas mulheres que apresentaram queixa, ambas prostitutas, nos dias em que ocorreram os crimes.

O suspeito contactava as vítimas através dos classificados dos jornais. Chegado ao apartamento, pagava às mulheres, mas depois violava-as e ficava com o dinheiro.


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