O ministro da Economia alemão, Rainer Bruderle, garantiu hoje que o Governo "não dará um cêntimo" à Grécia, em declarações proferidas horas antes do encontro entre a chanceler Angela Merkel e o primeiro ministro grego, Georges Papandreou, em Berlim.
Papandreou, esperado hoje em Berlim, garantiu que pretende apenas “o apoio” da União Europeia e dos seus parceiros.
"Não pedimos dinheiro", garantiu Papandreou ao diário Frankfurter Allgemeine Zeitung.
"Precisamos do apoio da União Europeia e dos seus parceiros para podemos contrair empréstimos nos mercados, em condições melhores”, adiantou.
"Se não recebermos essa ajuda, não poderemos pôr em pratica as mudanças desejadas", frisou.
O presidente do Eurogrupo (fórum de ministros das Finanças da Eurozona), Jean-Claude Juncker, considerou, por sua vez, que a Grécia "vai ter ainda de pagar durante muito tempo taxas de juro elevadas" para se refinanciar nos mercados.
E isso só terminará quando “os mercados financeiros tiverem visto que pode ser ativada uma solidariedade europeia”, e quando as "condições de crédito da Grécia forem mais moderadas”, disse Juncker à rádio alemã Deutschlandfunk.
Neste momento, "os mercados ainda não assimilaram esta dimensão”, disse.
Juncker não defende a necessidade de um auxílio financeiro dos parceiros europeus à Grécia mas não excluiu essa possibilidade.
A Grécia, a braços com graves problemas orçamentais e que se afunda sob o peso da sua dívida, não quer ser "o Lehman Brothers d União Europeia", disse o primeiro ministro grego ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, numa referência ao banco norte-americano cuja falência, em setembro de 2008, abalou os mercados e gerou uma crise financeira e económica sem precedentes.
Papandreou deverá reunir-se hoje com Angela Merkel, uma visita na qual os mercados financeiros estão de olhos postos apesar de a chefe do Governo alemão ter garantido que apenas tem em vista “as boas relações entre a Grécia e a Alemanha”.
“Não pedimos aos contribuintes alemães (...) que não paguem as nossas férias e reformas, afirmar isso seria injusto", defendeu Papandreou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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