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Edson Athayde: o Facebook como uma montra para brilhar

por Edson Athayde, Publicado em 05 de Março de 2010   
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"É possível falar sobre plataformas sociais digitais usando muitas perspectivas e dimensões, mas hoje, véspera da estreia da minha página semanal no i sobre o Facebook, vamos ficar por uma: o que mais incomoda quem odeia o site é justamente a possibilidade de todos brilharem à frente de todos. Veja bem, uso o verbo "brilhar" e não "falar". Se tem algo a dizer para alguém, escreva um mail, use o telefone, mande uma carta. O Facebook não foi feito exactamente para isso. É uma montra de estados de espírito, e principalmente um catálogo de gostos. Imagina o chato que isso é para quem passou a vida a acreditar que é especial justamente por gostar das coisas certas? Desde o berço desdobramo-nos na difícil tarefa de nos destacarmos da manada. Usamos força, beleza, talento, riqueza, linhagem ou tudo ao mesmo tempo ("Deus! Como odeio pessoas que acumulam qualidades...", dizia-me uma amiga). Aos trancos e barrancos, formamos a nossa audiência (a que romanticamente chamamos "amigos"). Quem é mais carismático tem mais gente à sua volta. Os tímidos, quase ninguém. E há os que só servem para rir das anedotas alheias e aplaudir. O mundo não é palco, é plateia. O Facebook apareceu para subverter isso. Lá o famoso equipara-se ao anónimo. E já não é importante ser importante. É a popularidade ao alcance de todos. Há quem diga que isso é terrível, que agora qualquer cretino pode ser famoso. Mas, até onde sei, no mundo real ser cretino nunca impediu ninguém de alcançar o hall da fama (pelo contrário). Para ser imbecil não é preciso autorização do governo. Será o problema simplesmente de reserva de mercado? São questões como esta que, a partir de amanhã, estarei aqui a debater."
Publicitário e escritor

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