Sócrates em Moçambique e nem uma palavra sobre a política nacional
por Sílvia Oliveira, em Maputo, Publicado em 05 de Março de 2010
"Tentarei não deitar abaixo nenhum órgão de comunicação social", ironizou o primeiro- -ministro num discurso
O segundo dia da visita de José Sócrates a Moçambique começou com energia e acabou com cultura. De manhã o primeiro-ministro visitou Cahora Bassa - a tal "pedra no sapato" que deixou de existir entre os dois países - e à noite assistiu à cerimónia de entrega do prémio Leya ao escritor luso-moçambicano João Paulo Borges Coelho, cujo júri é presidido por Manuel Alegre.
Sócrates e Alegre estiveram juntos no jardim da residência do embaixador de Portugal em Moçambique, mas sobre as presidenciais nem uma palavra. Ao i, Manuel Alegre afastou, aliás, qualquer hipótese de comentar o assunto. A única referência que fez ontem à noite ao primeiro-ministro foi durante o seu discurso sobre Borges Coelho e o seu livro "O Olho de Herzog", dizendo que a sua presença só reforçou o significado do prémio e que às vezes tem conversas com José Sócrates sobre a importância da língua para um país que não é rico.
Quanto ao primeiro-ministro, manteve-se absolutamente fiel ao seu objectivo para esta viagem: esquecer eventuais pedras no sapato deixadas em Portugal - sobre a comissão de inquérito parlamentar ao caso TVI voltou a dizer que falará mais tarde. Uma única excepção, com uma nota de humor, no início do seu discurso de encerramento de um seminário sobre energias renováveis que preencheu a tarde dos empresários, ontem em Maputo. "A minha primeira grande tarefa é tentar não deitar abaixo nenhum órgão de comunicação social. Vou fazer o meu melhor", disse enquanto tentava gerir a quantidade de microfones no púlpito.
De resto, concentrou-se na sua mensagem visita a Moçambique: a de que Portugal e Moçambique atingiram uma nova fase das suas relações políticas económicas, de reforço, de "novo fôlego", de "virar de página", lançando um repto aos empresários portugueses e moçambicanos para intensificarem investimentos e parcerias.
E nisto saíram prontos para assinar dez protocolos e memorandos de entendimento, que resultam, sublinhou Sócrates, em mais mil milhões de euros para financiamento de projectos. Para já foram identificados dois, nos quais participarão empresas portuguesas: a construção da chamada Central Norte de Cahora Bassa, cujo concurso será lançado em 2011, e a da principal rede de distribuição de electricidade de Moçambique. A Cabelte assinou com o governo moçambicano um acordo para a construção de uma fábrica de produção de cabos de energia em alumínio.
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