Terrorismo
Tribunal alemão condena islamitas que preparavam novo 11 de Setembro
por Vanessa Pires, Publicado em 05 de Março de 2010
Quatro islamitas acusados de planearem os ataques estavam ligados à Al-Qaeda e tiveram treino no Paquistão
Ia ser um novo 11 de Setembro, mas agora na Alemanha. Foi evitado a tempo. Em Setembro de 2007, após várias semanas de investigação, os serviços secretos germânicos conseguiram desmantelar um grupo de quatro militantes islamitas, que ouviram ontem a sua sentença em tribunal.
As autoridades alemãs apreenderam mais de 700 quilos de explosivos que iam servir de arsenal contra aeroportos alemães e bases militares americanas no país, uma encomenda com a assinatura da União da Jihad Islâmica, vinculada à Al-Qaeda. A mistura desta grande quantidade de material explosivo poderia mesmo resultar numa explosão ainda maior que a dos atentados nos comboios em Madrid, em 2004, ou os ataques nos transportes públicos londrinos, em 2005 - talvez mais parecida com o ataque às torres gémeas.
Dois dos elementos deste grupo, Daniel Schneider, de 24 anos, e Fritz Gelowicz, de 30, alemães convertidos ao islão, foram condenados ontem em Düsseldorf, no Oeste da Alemanha, a 12 anos de prisão, por fazerem parte de uma organização terrorista e terem conspirado para cometer assassinatos em massa. Os outros dois elementos, Adem Yilmaz, de 31 anos, e Atilla Selek, de 25, alemãs de ascendência turca, vão cumprir uma pena de 11 e cinco anos, respectivamente. Atilla Selek só foi considerado culpado de colaboração com um grupo terrorista.
Juntos formavam o "quarteto de Sauerland", nome pelo qual eram conhecidos na Alemanha. Também neste grupo havia um líder, Daniel Schneider, que admitiu durante o julgamento ter recebido ordens para cometer ataques semelhantes aos de 11 de Setembro, em Nova Iorque.
O quarteto pretendia ainda influenciar o parlamento alemão no que respeita à extensão da campanha militar no Afeganistão.
O treino que os quatro homens receberam foi intensivo. Dado por um grupo com ligações à Al-Qaeda nos campos no Norte do Paquistão, o cenário escolhido para a preparação dos atentados por três destes homens, segundo informações das autoridades alemãs. "Fanatismo religioso e ódio ao exército dos Estados Unidos" eram as causas que moviam a organização, afirmou o promotor Volker Brinkmann durante o julgamento. As discotecas frequentadas por soldados americanos, a base da Força Aérea de Ramstein, no Oeste da Alemanha, um aeroporto e outros locais públicos eram os alvos em causa.
Schneider, Gelowitz e Yilmaz foram presos em 2007. Selek foi detido em Novembro desse ano, na Turquia, e extraditado para a Alemanha em Novembro de 2008.
O julgamento teve início em Abril de 2009 e terminou ontem, com o juiz Breidling, encarregado do caso, a bater o martelo, sem sobressaltos ou dramatizações. Os quatro acusados admitiram estar a planear os ataques, numa forma de protesto contra a intervenção ocidental no Afeganistão, embora tenham alegado ter recebido ordens: "Há muitos jovens influenciáveis e homens que já foram afastados do caminho correcto, dispostos a matar em nome da noção de Jihad, a guerra santa islâmica", afirmou o juiz.
Este caso comoveu a opinião pública alemã, por se tratar de indivíduos nascidos na Alemanha, que planeavam um banho de sangue no seu próprio país.
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