Política
Sócrates volta a desautorizar ministro das Finanças
Publicado em 05 de Março de 2010
Sócrates acordou a paz com Jardim, passando por cima da resistência de Teixeira dos Santos
Na segunda-feira, José Sócrates e Alberto João Jardim assinaram o acordo de paz. O pacto, que irá aumentar as transferências para a Madeira nos próximos três anos - período durante o qual a famosa Lei das Finanças Regionais ficará suspensa - põe fim a um conflito que parecia ser eterno. Mas a paz com Jardim obrigou Sócrates a desautorizar novamente o seu ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
Ao contrário do próprio primeiro-ministro e do grupo parlamentar do PS, que imediatamente perceberam que a tragédia da Madeira teria que pôr fim à política de costas voltadas, Teixeira dos Santos insistiu, na semana passada, em que a questão finanças regionais não estava ultrapassada. "A Lei das Finanças Regionais está ultrapassada? Isso é a sua opinião, não é a minha", afirmou o ministro em resposta a Guilherme Silva, deputado do PSD eleito pela Madeira, que interrogara o ministro sobre os apoios do governo à Madeira - partindo do princípio que a questão finanças regionais estava extinta. Teixeira dos Santos foi implacável: "A Lei das Finanças Regionais não tem nada a ver com a catástrofe, não misturo as duas coisas e acho por bem não misturarmos as duas matérias", respondeu, para espanto de todos.
A "teimosia" do ministro foi sentida mesmo entre deputados socialistas. Jardim não queria acreditar. E Sócrates, soube o i, foi obrigado a enviar uma mensagem de tranquilidade à Madeira: a paz iria ser mesmo conseguida e o guião não era exactamente aquele que o ministro das Finanças tinha afirmado no parlamento. O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, respondeu imediatamente a Teixeira dos Santos: "Uma situação nova exige respostas novas".
Isto passou-se no dia 26 de Fevereiro. Dois dias depois, foi o próprio Sócrates a desautorizar o ministro das Finanças. Entrevistado pela TVI, Sócrates recusou falar na Lei das Finanças Regionais. "Não farei nenhuma declaração, nem introduzirei nenhuma questão política que possa prejudicar ou menorizar o que é o principal dever neste momento: a cooperação entre o governo da Madeira e o governo da República. Encontraremos soluções para ultrapassar as questões políticas que possam aparecer. É um momento para soluções, não para recriminações ou disputas".
É a terceira vez que Teixeira dos Santos é desautorizado. Em Dezembro passado, o ministro das Finanças recusava publicamente aumentar o limite do endividamento da Madeira no orçamento rectificativo, enquanto o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, acordava nos bastidores com o PSD/Madeira os 79 milhões que acabaram por ser inscritos. Depois, Sócrates deu ordens ao PS para negociar um acordo para as finanças regionais com a oposição, contra a vontade de Teixeira dos Santos. Aí, o ministro das Finanças ameaçou demitir-se e ganhou a batalha: o PS acabou por não negociar nada e foi o próprio Sócrates a juntar a sua à voz de Teixeira dos Santos, ameaçando também demitir-se em conversas com os líderes da oposição, se a lei avançasse. Mas a tragédia da Madeira veio mudar tudo.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Sócrates volta a desautorizar ministro das Finanças
Actividade em ionline