O presidente da Venezuela disse hoje ser "temerária e irresponsável" a acusação de um juiz espanhol sobre a alegada cooperação da Venezuela com a ETA e as FARC, e sublinhou não ter nada que explicar ao primeiro ministro espanhol.
"Quero esclarecer isto, para que cada um assuma o que é seu. Eu falei com o chanceler [ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Miguel Ángel] Moratinos, para que esclareça ao presidente espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, que não tenho nada que explicar", disse Hugo Chávez, num ato transmitido pela televisão venezuelana.
"Se [Zapatero] quiser, peça explicações ao seu juiz, não tenho nada que explicar nem a si, nem a ninguém neste planeta", disse.
Por outro lado, Chávez instou o governo espanhol a "meter o olho no poder judicial" de Espanha e assegurou que as relações bilaterais dependem da atitude dos seus governantes. "Da atitude do governo de Espanha dependerá as relações com esse país. Têm que respeitar-nos, exigimos respeito", expressou.
Segundo Hugo Chávez, o governo venezuelano "não apoia nenhum grupo terrorista". E voltou a insistir que as acusações fazem parte de um ataque planeado pelos Estados Unidos para turvar a criação da Comunidade dos Estados da América Latina e Caraíbas.
"Estamos sendo vítimas de um ataque. Os 'yankis' [norte-americanos] e todas as suas redes estão tentando sabotar a Comunidade de Estados que promovemos. Isso é o que irrita aos 'yankis'", disse.
Hugo Chávez precisou ainda que na Venezuela "vivem alguns bascos que pertenceram a esse grupo [ETA]", devido a um acordo assinado entre o ex-presidente Carlos Andrés Pérez com o na altura seu homólogo espanhol Felipe González.
"Já basta! Digo, com afeto, ao governo espanhol. Rogo a Zapatero que veja bem o que diz", frisou Chávez.
O governo de Espanha pediu, segunda feira, explicações ao executivo da Venezuela sobre a alegada cooperação que terá mantido com a ETA e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
"O ministro dos Negócios Estrangeiros [espanhol] efetuou as diligências necessárias junto do governo da Venezuela para que explique as informações divulgadas" por um juiz da Audiência Nacional, declarou Zapatero.
O juiz espanhol Eloy Velasco acusou seis membros da organização separatista basca e sete membros das FARC de terem preparado o assassínio de personalidades colombianas em Espanha.
O inquérito, que também deve incidir sobre a formação de membros da ETA e das FARC no manuseamento de armas e explosivos em território venezuelano, "evidenciou a cooperação governamental venezuelana na colaboração ilícita entre as FARC e a ETA", considerou ainda o juiz espanhol.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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