Os sindicatos que representam os funcionários públicos disseram hoje esperar uma forte adesão à greve de quinta feira que faça o Governo retroceder nas propostas que tem em cima da mesa.
"As greves devem servir para pensar o que é que leva os trabalhadores a perder um dia de salário para poder lutar pelos seus direitos", frisou Ana Avoila, da Frente Comum (afeta à CGTP) no final de uma reunião negocial com o secretário de Estado da Administração Pública.
Para a sindicalista, os trabalhadores estão numa situação "bastante grave".
"Estão a ser penalizados mais um ano e nós temos condições de mobilizar os trabalhadores no sentido de fazer uma grande greve e tentar fazer o governo retroceder nas propostas que tem em cima da mesa", disse.
Nobre dos Santos, da FESAP (UGT), por sua vez, lamentou mais uma vez a "intransigência total" do Governo relativamente ao congelamento dos salários previsto para este ano, mas aguardará para "ver qual é a resposta que o Governo vai consignar em função da greve que houver".
"Os trabalhadores vão perder um dia de trabalho e por isso vão exigir que esse dia de trabalho seja rentabilizado da melhor maneira. O esforço dos trabalhadores e dos sindicatos é que a greve seja um sucesso", frisou.
Para Bettencourt Picanço, do STE - cuja reunião negocial foi adiada para sexta feira - a greve deverá ter "uma boa adesão" para fazer o Governo mudar de políticas.
"O que esperamos é que o Governo pare com este ataque sistemático aos trabalhadores da Administração Pública como se eles fossem culpados por algum pecado original que não conseguem vislumbrar", disse o sindicalista que se deslocou ao Ministério das Finanças.
À margem das reuniões, o secretário de Estado, Gonçalo Castilho dos Santos, insistiu que o Governo não tem margem para realizar aumentos salariais e lamentou que a greve aconteça durante um processo negocial.
"Existem matérias de extrema importância e que envolvem milhares e milhares de euros que o Governo quer negociar".
Neste sentido, a tutela acordou hoje com a FESAP realizar um inventário exaustivo em cada ministério sobre a aplicação do sistema de avaliação (SIADAP).
"O governo está disposto a negociar para aperfeiçoar e não para fazer tábua rasa daquilo que foi a reforma da legislatura anterior", disse.
A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Frente Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado marcaram esta greve contra o congelamento salarial, o agravamento das penalizações das reformas antecipadas, questões relacionadas com as carreiras e com o sistema de avaliação.
Os sindicatos suspenderam a paralisação na região autónoma da Madeira para facilitar os esforços que estão a ser feitos para que a vida na ilha volte à normalidade, após o temporal de 20 de fevereiro.
A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 30 de novembro de 2007 contra a imposição de um aumento salarial de 2,1 por cento.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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