O presidente da Jerónimo Martins, empresa que teve no ano passado os maiores lucros no sector do retalho, afirmou hoje que Portugal não tem Governo e criticou as prioridades do primeiro ministro.
"Não temos Governo neste momento", afirmou Alexandre Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, admitindo aos jornalistas que a "instabilidade política afeta" o desenvolvimento do país.
"Eu, como presidente, não ando a visitar as lojas da empresa. A minha função é outra, é pensar em como resolver os problemas", afirmou, criticando assim as frequentes deslocações do primeiro ministro e a sua disponibilidade em relação ao caso Face Oculta, nomeadamente.
"Há 13 biliões de euros nos tribunais fiscais (de casos por resolver). Porque é que o Governo, se precisa de dinheiro, não investe em ir buscar esse dinheiro", questionou o presidente.
Soares Santos disse que um empresário, quando quer investir num país, olha atentamente se a justiça funciona, assim como a política fiscal e a questão da burocracia, áreas onde o desempenho nacional sofre muitas críticas.
O presidente adiantou que um grupo de trabalho da Jerónimo Martins está a estudar novos potenciais mercados, como a África do Sul, o Canadá, Estados Unidos ou Colômbia, mas exclui Angola do interesse da empresa "devido à corrupção".
"A Ucrânia é a expansão natural da Polónia. Sei que vai acontecer, só não sei quando", afirmou Alexandre Soares dos Santos, explicando que neste momento a falta de respeito pela lei não oferece garantias para investir.




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