O secretário geral da CGTP está "convicto" de que a greve de quinta feira da função pública terá uma "enorme mobilização", mas recusou-se a avançar cenários caso o Governo não altere a sua posição.
Em declarações à Lusa, Manuel Carvalho da Silva alertou também para a possibilidade de existirem "pressões e manipulações diversas sobre os trabalhadores, no sentido de diminuir a expressão pública da greve", devido há "muita precariedade" que existe na função pública.
"Mas é indiscutível que existe um descontentamento imenso, visível no comportamento dos trabalhadores, e que isso vai significar uma enorme adesão à greve", afirmou o secretário geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).
O congelamento salarial e a antecipação do agravamento das penalizações para as aposentações antecipadas foram o mote para a greve de quinta feira, embora na base do conflito estejam também questões relacionadas com as carreiras e com o sistema de avaliação de desempenho dos funcionários do Estado.
A paralisação é convocada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), pela Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), ambos afetos à UGT, e pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, afeta à CGTP.
Questionado pela Lusa se as diferentes propostas de aumento salarial avançadas pelos três sindicatos da função pública que convocam a greve pode dificultar a negociação com o Governo, Manuel Carvalho da Silva retorquiu que "essa não é a questão principal neste momento, seja qual for o valor não tem resposta positiva por parte do Governo".
"A questão de fundo", frisou, são as políticas seguidas pelo Governo, que considerou serem a "negação absoluta da chamada saída da crise", ao pretenderem "congelar ou reduzir salários e reduzir o emprego".
O dirigente da CGTP alertou também para que "aquilo que se passa na administração pública acaba por ter reflexos também no sector privado".
Instado várias vezes pela Lusa sobre o que outras formas de luta podem ser equacionadas caso a paralisação de quinta feira não altere a posição do Governo, Manuel Carvalho de Silva recusou responder, preferindo salientar a necessidade de mobilização.
"Insistimos numa ideia fundamental neste país: ou os portugueses e portuguesas se mobilizam contra estas políticas ou o país mergulha numa crise prolongada, que pode criar grande dificuldade às [futuras] gerações de portugueses".
A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 30 de novembro de 2007, contra a imposição de um aumento salarial de 2,1 por cento.
Os sindicatos suspenderam a paralisação de quinta feira na região autónoma da Madeira para facilitar os esforços que estão a ser feitos para que a vida na ilha volte à normalidade, após o temporal de 20 de fevereiro.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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