Passos Coelho: "O país está cansado de um governo de crispação"

por Marta Cerqueira com Agência Lusa, Publicado em 02 de Março de 2010   
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Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel foram os primeiros convidados a participar no debate entre os candidatos à liderança do PSD, transmitido pela Sic Notícias.
No início do debate, Paulo Rangel justifica as razões que o levaram a apresentar a candidatura a líder do PSD. “O agravamento da situação financeira do país e a degradação do poder executivo foram os pontos essenciais”, explicou.
Já Pedro Passo Coelho acredita que o seu lugar no partido é uma alternativa positiva numa disputa com o Partido Socialista. “ Se temos o PS no governo, isso ficou a dever-se a uma incompetência por parte do PSD”, defende, acrescentando que “o país está cansado de um governo de crispação vivido nos últimos cinco anos.”

“O PSD só pode ganhar as eleições se conseguir dizer às pessoas o que o país tem que fazer. Temos que dar um caminho de esperança”, defende Passos Coelho. Questionado sobre as suas propostas para o país, Passos Coelho defende que o saneamento das finanças não deve permitir um défice superior a 3%. Contenção salarial na administração, fixação de um tecto para a despesa social e a criação de um plano de ataque do ministro das Finanças que permita diminuir as despesas são ideias apresentadas por Passos Coelho como possíveis soluções para alcançar esse valor.

Perante críticas de Passos Coelho sobre a “aparente apatia” do PSD perante o Orçamento do Estado, Paulo Rangel defende que “apesar de muito mau, o Orçamento teve que ser viabilizado. “Se não tivéssemos tomado essa posição, a situação do nosso país ficaria catastrófica”, explica.

Passos Coelho faz referência a uma “batota interna”, como sendo o “ambiente que se gera quando o Estado é árbitro e jogador ao mesmo tempo.”

Paulo Rangel aponta a educação como um dos piores sectores da sociedade portuguesa, fazendo referência à falta de exigência. “As escolas são os locais onde as classes mais desfavorecidas podem melhorar e, por isso, a educação pública deve ser uma das principais apostas do governo.”

Sobre a comissão de inquérito ao caso PT/TVI, Paulo Rangel defende que se deve deixar funcionar a comissão e deixar os envolvidos explicarem-se. “Não vamos falar de um assunto sem que este esteja terminado. Não vamos antecipar as conclusões da comissão de inquérito”, disse. Já Passos Coelho acredita que as audições já realizadas não ajudaram a chegar a conclusões sobre o que realmente aconteceu. “O resultado da comissão de inquérito não deve comprometer a questão do fim do governo”, defende. “O governo deve manter-se em funções enquanto fizer o seu trabalho. Mas o governo tem que apresentar soluções para melhorar as condições do país”, disse, acrescentando que “o pior que pode acontecer ao país é continuar com um governo que não cumpre as suas funções.”

Na quinta-feira, dia 4, é a vez de Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco. Entre as 21.00 e as 21.50.



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