Selecção

Ronaldo. O Tomahawk nasceu em Évora...

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 03 de Março de 2010   
... mas nunca deu um golo à selecção. O CR9 está em dívida, a guardar-se para o Mundial.
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São os golos do momento, toda a gente tem sempre mais alguma coisa a acrescentar aos livres de Cristiano Ronaldo - que são inspirados no râguebi, que aquele esforço vai destruir-lhe os joelhos - mas só falta dizer que o CR9 ainda não marcou um Tomahawk na selecção nacional. O pontapé que o português inventou e desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos até já valeu golos ao Real Madrid, deixou os espanhóis de olhos em bico e estes tinham de lhe dar uma alcunha balística. Tomahawk. Numa altura em que Portugal joga com a China e o cheiro a Mundial já anda por todo o lado, faz todo o sentido reclamar um pouco de Ronaldo para o lado de cá da fronteira - nos últimos 11 jogos marcou um golo pela equipa nacional, e foi de penálti, contra a Finlândia.

O seu a seu dono. Ainda por cima a história do Tomahawk está ligada a Évora e ao estágio que a selecção de Luiz Felipe Scolari fez para o Mundial-2006, na Alemanha. Quer dizer, Cristiano Ronaldo já tinha metido na cabeça que tinha de ser especialista de livres - contra a Eslováquia até tinha feito um golo num remate... normal, em 2005 - mas foi no Alentejo que se focou no estranho pontapé que agora anda na boca do mundo. A obsessão virou rotina: toda a gente ia para o banho e o avançado ficava no relvado a fazer tiro ao boneco, com os guarda-redes Ricardo e Quim na baliza. "Ele pratica livres a toda a hora, fica a treinar quando toda a gente já se foi embora", disse Vidic, o defesa sérvio que conheceu Ronaldo no Manchester United. A obsessão alastrou a todo o lado. Em Madrid até Zidane, assessor do presidente Florentino Pérez no Real, está impressionado. "O Cristiano quer ser o melhor, mas não só o diz como faz. Levanta-se de madrugada para estar às 8 da manhã no centro de treinos, duas horas antes do previsto", disse ao "El País".

O empenho não está em causa, só falta o golo, do lado de cá. A meio da qualificação para o Mundial, quando as contas estavam complicadas, Cristiano Ronaldo dizia que estava a guardar-se para fase final na África do Sul. Fintou a pressão como finta os adversários. Depois lesionou-se, falhou o jogo com Malta e o playoff com a Bósnia e adiou-se para outras núpcias.

OS JOELHOS AGUENTAM? Agora, regressado e de saúde, Ronaldo é a cara de uma equipa que se diz candidata ao título. Os seus livres podem ser uma ajuda embora haja quem diga que também podem causar problemas. Ao próprio. Mark Hughes (o antigo futebolista galês que passou no Manchester United, no Barcelona, no Bayern e no Chelsea; não o fundador da Herbalife) diz que o movimento inventado por Ronaldo é tão esforçado e pouco natural que o jogador pode vir a ter problemas físicos. "É uma técnica completamente diferente, baseada na enorme potência de remate, sem recurso a efeitos. No final do movimento atira o corpo para a frente, para baixar a trajectória da bola, mas aquilo não é natural e não sei se o conseguirá fazer até ao final da carreira. Pode vir a sofrer as consequências, mas espero que continue a trabalhar e a fortalecer a zona dos joelhos para marcar estes livres extraordinários", disse.

Juninho Pernambucano, talvez o mais versátil marcador de livres que se viu ultimamente, também arriscava pontapés semelhantes. Com 34 anos, o brasileiro saiu do Lyon (com sete campeonatos) e ainda joga no Qatar. Ken Bray, um físico inglês autor do livro "How to Score: Science and Beautiful Game" tentou provar que Juninho Pernambucano é o melhor marcador de faltas da história. E o que disse sobre Ronaldo? O português terá problemas no Mundial porque a nova bola da Adidas não favorece o seu pontapé. Será?


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