O líder do BE na Madeira, Roberto Almada, defendeu hoje um orçamento retificativo para que os recursos financeiros da região sejam reorientados para a ajuda de emergência aos afetados pela intempérie.
"É prioritária a apresentação pelo Governo Regional, com caráter de urgência, de um orçamento retificativo onde sejam revistas as prioridades orçamentais e reorientados os recursos financeiros para a ajuda de emergência a quem ficou sem nada", defendeu em conferência de imprensa.
O dirigente bloquista afirmou que "apesar do regozijo sentido ao ver o entendimento entre os governos regional e nacional a propósito das ajudas às vítimas teme-se que as pessoas que esperam por uma resolução rápida dos seus problemas acabem por desesperar".
"Não podem ficar à espera num aquartelamento militar ou numa escola pelo trabalho de uma comissão que será criada por despacho do primeiro ministro e por ajudas financeiras que decorrerão de uma legislação a aprovar apenas em abril na Assembleia da República", disse.
A situação de emergência existente no terreno "exige uma reorientação das prioridades orçamentais da própria Madeira", considerou.
Roberto Almada defendeu mecanismos que garantam que a aplicação desses dinheiros públicos, assim como dos donativos, é feita com "rigor e transparência", incluindo a publicação, no portal do Governo Regional, de todas as verbas entradas na Madeira, os orçamentos das obras a efetuar, os seus custos reais e a justificação das eventuais derrapagens.
O dirigente do BE alertou ainda para a necessidade da recuperação das zonas afetadas não se efetuar "a duas velocidades".
"Há que fazer chegar a todas as zonas de forma equitativa a ajuda à reconstrução. O BE não pode aceitar que ela seja feita a duas velocidades, dando prioridade às zonas mais urbanas e deixando para uma segunda fase o apoio às vítimas das zonas altas e dos concelhos mais afastados do Funchal", disse, apontando como exemplo desse desfasamento regional os atrasos na limpeza da Estrada do Laranjal.
Roberto Almada defendeu que, aproveitando a aproximação provocada pela catástrofe, os governos nacional e regional passem a pautar a sua relação por um maior respeito mútuo, cooperação e defesa dos direitos das populações.
"Infelizmente isso não tem acontecido até agora. Pena que tenha sido precisa uma desgraça destas para passar a acontecer. Era bom que os senhorios desta Madeira nova começassem a entender que precisam tanto do Governo da República como este precisa da região", acrescentou.
Questionado sobre a abertura manifestada por Alberto João Jardim para se recandidatar à presidência do Governo Regional em 2011, o líder do BE disse que essa declaração não surpreendeu ninguém no seu partido, onde "todos acreditavam já que ele iria recandidatar-se"
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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