A igualdade de oportunidades é um discurso propagandístico. Por muito que a educação e o "mérito" sejam importantes para entreabrir as portas de subida dos mais carenciados, estes transportam consigo o seu próprio "travão" que os impede de subir.
É um processo sociocultural, quase congénito, em que o baixo estatuto herdado dos pais define um "destino" (provável) que empurra os indivíduos para se manterem em padrões de vida (económicos, profissionais ou educacionais) próximos da origem social.
É um facto que o ensino se democratizou, mas as credenciais académicas perdem importância (quer no estatuto, quer nas oportunidades que abrem) à medida que se massificam. O que está em causa não é apenas desigualdade mas a monopolização de recursos escassos, e o poder que daí se retira. O estatuto só é importante quando é exclusivo, e o privilégio de uns gera a exclusão de outros. Por isso as desigualdades se reproduzem.
Sociólogo, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra




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