Propaganda

por Elísio Estanque, Publicado em 01 de Março de 2010   
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A igualdade de oportunidades é um discurso propagandístico. Por muito que a educação e o "mérito" sejam importantes para entreabrir as portas de subida dos mais carenciados, estes transportam consigo o seu próprio "travão" que os impede de subir.

É um processo sociocultural, quase congénito, em que o baixo estatuto herdado dos pais define um "destino" (provável) que empurra os indivíduos para se manterem em padrões de vida (económicos, profissionais ou educacionais) próximos da origem social.

Em sociedades com estruturas sociais mais rígidas, como Portugal e os países latinos, as barreiras de classe tornam-se praticamente intransponíveis para a esmagadora maioria.

É um facto que o ensino se democratizou, mas as credenciais académicas perdem importância (quer no estatuto, quer nas oportunidades que abrem) à medida que se massificam. O que está em causa não é apenas desigualdade mas a monopolização de recursos escassos, e o poder que daí se retira. O estatuto só é importante quando é exclusivo, e o privilégio de uns gera a exclusão de outros. Por isso as desigualdades se reproduzem.

 

Sociólogo, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra



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