O Mercado do Bolhão, no Porto, “está em perfeito estado estrutural”, disse à Agência Lusa o vereador Correia Fernandes, do PS, citando um estudo efetuado em 2009 pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
O autarca acrescentou que soube do estudo e dos seus resultados durante uma reunião que a Plataforma de Intervenção Cívica, de que faz parte, manteve em setembro último com o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar).
O estudo, adiantou também Correia Fernandes, foi feito a pedido do Igespar, consistiu numa “radiografia completa” ao Bolhão e revelou que o edifício “está muito melhor do que se pensava” - e a sua aparência sugere.
“A parte degradada é a que se vê e é à superfície”, continuou, considerando que, por esse motivo, os “projetos de especialidade necessários para concretizar a recuperação do Bolhão são, afinal, menos do que se pensava, pois a tarefa aparece muito facilitada”.
Um dos sete pontos da ordem de trabalhos da próxima sessão da Assembleia Municipal, marcada para dia 1 de março, é precisamente “a situação em que se encontra a recuperação do Mercado do Bolhão”.
A inclusão desse ponto foi solicitada pelo PS, que também requereu “toda a informação sobre este assunto em tempo útil”, de acordo com o deputado Gustavo Pimenta.
A questão não é pacífica e o líder do PSD na Assembleia Municipal disse mesmo à Lusa que o debate sobre o Bolhão “é uma coisa completamente despropositada e extemporânea, pois não há factos relevantes novos que o justifiquem”.
“Se é para saber (o que se passa com o projeto de recuperação do Bolhão), perguntam, não falam”, argumentou Paulo Rios.
Correia Fernandes recorda que o orçamento municipal para 2010 destina um milhão de euros para o Bolhão, “o que não cobre senão as despesas com os projetos de especialidade”, que diz serem “uma competência da própria câmara”.
“A obra vai deslizar para 2011 ou 2012”, conclui o vereador.
A autarquia liderada por Rui Rio chegou a admitir que as obras de requalificação do Bolhão podiam começar “no final” de 2009, isto depois de ter abortado o plano inicial para a reabilitação do mercado, que envolvia uma empresa privada, a TCN, o que gerou grande polémica junto de alguns setores da cidade.
A verdade é que a Câmara viria a romper TCN, alegando incumprimentos por parte desta, e a juntar-se a outro parceiro, o Ministério da Cultura, para a requalificação do mercado quase centenário (foi inaugurado em 1914).
A autarquia propôs um novo programa para o Bolhão, que “manterá a sua traça e cunho tradicional”, e o Igespar comprometeu-se a elaborar o projeto da sua recuperação.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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