Tremor de terra

O contador não pára: mais de 700 mortos no Chile - veja TV em directo

por Mariana de Araújo Barbosa, Publicado em 27 de Fevereiro de 2010   
Balanço oficial actualizado. Michelle Bachelet declarou estado de calamidade em 6 regiões do país.
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O ministro chileno do Interior  actualizou às 18h30 (hora de Lisboa) o balanço de vítimas mortais. São agora 708 os mortos confirmados do sismo de sábado. O responsável frisou que "este é um episódio de catástrofe, sem paralelo na história recente do Chile".

A Presidente do Chile convidou hoje todos os sobreviventes do sismo a arregaçar as mangas e participar nos trabalhos de resgate, limpeza e reconstrução do país. "Estamos a trabalhar, mas temos pela frente uma tarefa dura", disse Michelle Bachelet numa declaração transmitida pela rádio, acrescentando que a história chilena está "cheia de desastres naturais que põem à prova o nosso empenho e solidariedade, mas que também registam a coragem de todo o povo. Uma vez mais: Força Chile!".

Já foi decretado o estado de calamidade em 6 regiões do país para permitir a libertação de fundos de emergência de ajuda à população.

"Parece o fim do mundo", disseram os primeiros chilenos, incrédulos, perante o sismo que agitou o país durante a madrugada de sábado. Pelo menos 400 pessoas morreram, segundo fonte do Gabinete Nacional de Emergências, no sismo de intensidade 8.8 na escala de Richter que atingiu a costa do Chile, cerca das 5h30 em Portugal. De acordo com o centro geológico norte-americano, 3 milhões de pessoas estiveram expostas ao sismo e mais de 500 mil famílias ficaram deslocadas, de acordo com o ministro do interior chileno.

As autoridades do Chile, EUA, Japão e de outros países do Pacífico declararam alerta de tsunami, que entretanto foi retirado. Pelo menos 53 países tomaram precauções devido à previsão de ondas gigantes no Pacífico.

Concepción e Santiago são as regiões mais afectadas, mas há registo de graves danos noutras cidades.

O epicentro localizou-se a 115 quilómetros da cidade de Concepción e a 325 quilómetros da capital, Santiago. Segundo o centro geológico norte-americano (USGS) foram registadas 66 réplicas de menor intensidade (6.2, 5.4 e 6.9 na escala de Richter foram as mais intensas). Trata-se de um sismo mil vezes mais forte do que aquele que fez tremer o Haiti a 12 de Janeiro deste ano, e que matou mais de 215 mil pessoas.

Alguns relatos directamente de Concepción, a segunda maior cidade chilena e a mais afectada pelo sismo da madrugada de sábado, dão conta de um cenário "devastador" e que parece de uma "zona de guerra", afirmaram algumas testemunhas à SkyNews. Os testemunhos deram conta de um cenário "nunca antes visto", com edifícios completamente destruídos e cortes de água, luz e gás em diversas cidades chilenas. "Os semáforos bão funcionam, as pessoas conduzem para os pontos mais altos para fugirem ao tsunami", referiram alguns locais. "Não há uma única rua sem escombros em Concepción", dizem os populares, sem memória de uma tragédia de proporções semelhantes.

As comunicações mantêm-se cortadas, assim como a electricidade e a água, na zona de Concépcion.

Na capital, Santiago, os relatos dão conta de vários edifícios destruídos devido a danos causados pelo tremor de terra, incluindo dois dos maiores hospitais da cidade. De acordo com uma televisão local, vários hospitais da capital ficaram destruídos e outros foram evacuados.

Na capital da Argentina, Buenos Aires, alguns edifícios foram também evacuados devido ao abalo sísmico, que no país atingiu os 6,6 na escala de Richter.

Entretanto, a meio da tarde de ontem, uma onda gigante matou mais três pessoas na ilha de Juan Fernandez, a 643 km da costa do Chile. Segundo o governador da ilha, Ivan De La Maza, dez pessoas continuam desaparecidas.

Em 1960, o Chile sofreu o mais forte sismo de que há registo em todo o mundo desde 1900: um tremor de terra de 9.5 na escala de Richter sacudiu a região de Valdivia e matou 1655 pessoas, tendo dado origem a um tsunami sentido no Hawai, Japão e Filipinas. O último sismo de grande intensidade sentido no país foi em 1985.

O sismo no Chile ocorre um mês e meio depois do devastador tremor de terra de 12 de Janeiro no Haiti, que provocou mais de 215 mil mortes.

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