Política

PS apoiará Alegre

Publicado em 27 de Fevereiro de 2010   
Alegre vai estar em Moçambique, como presidente do júri do prémio Leya
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O PS vai apoiar Manuel Alegre e agora só falta discutir quando e onde. Na próxima semana, Alegre vai estar em Moçambique com o primeiro-ministro, para entregar o prémio Leya, do qual é presidente do júri. Maputo será o cenário do primeiro reencontro entre os dois, depois de Setembro, quando o poeta que recusou entrar nas listas socialistas acabou por sinalizar o apoio ao seu partido, comparecendo num comício da campanha do PS, em Coimbra.

O assunto candidatura presidencial já é pacífico entre os socialistas, mesmo que para alguns o seja a contragosto. Mas já não há nada a fazer. O avanço de Fernando Nobre nunca baralharia as contas internas do PS que, à excepção de Eanes, não voltou a apoiar numas presidenciais um não-militante. O timing de Alegre - em Janeiro transformou a sua candidatura num processo irreversível - é que não coincidiu com o de Sócrates que preferia discutir o assunto mais tarde. Agora, o estado-maior do PS espera pelo fim do processo Orçamento de Estado/Programa de Estabilidade e Crescimento para tomar uma posição oficial sobre a candidatura de Alegre que será, inevitavelmente, de apoio.

Muitos dos militantes de base juntaram-se já à candidatura de Alegre, enquanto, de forma avulsa, dirigentes vão manifestando o seu apoio. Mota Andrade, vice--presidente do grupo parlamentar e um socrático de sempre, iria participar no jantar de campanha em Bragança, que estava previsto para dia 5, mas teve de ser adiado. Mota Andrade é o presidente da federação do PS de Bragança, mas, exactamente por não existir ainda apoio oficial do partido a um candidato, estaria no jantar a título "pessoal".

Mas o jantar de Bragança teve de ser adiado, porque Manuel Alegre vai estar em Moçambique com José Sócrates, enquanto presidente do júri do grupo Leya. Ao i, Alegre separa a ida a Moçambique de uma acção de campanha eleitoral. "Não vou a Moçambique como candidato presidencial, vou a Moçambique como presidente do júri do grupo Leya", diz. "Acho muito importante para as relações Portugal-Moçambique que o prémio seja atribuído pelo presidente Guebuza ao vencedor, na presença do primeiro-ministro português", afirma o poeta que, a pedido do grupo Leya, propôs a Sócrates que o prémio fosse entregue por Armando Guebuza, presidente da República de Moçambique, durante a visita oficial do primeiro-ministro português. No ano passado o prémio Leya tinha sido entregue em Portugal, pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

Sobre o livro vencedor, "O olho de Hertzog", do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, Manuel Alegre considera-o "um grande romance que enriquece a literatura moçambicana e a literatura de língua portuguesa".

"É um romance histórico, com descrições muito bonitas da velha Lourenço Marques. A personagem central é um jornalista pioneiro do nacionalismo moçambicano."

José Sócrates parte para Maputo na terça-feira, com uma comitiva de empresários. Alegre partirá com Sócrates, mas abandona a comitiva depois de entregar o prémio. Segue para Angola.


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