A Caixa Geral de Depósitos (CGD) admite pedir o "estatuto de exceção" para fazer aumentos salariais em 2010, disse hoje à Lusa fonte oficial do banco público, ponderando assim juntar-se à TAP, que já anunciou que vai aumentar ordenados.
"O Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos está a ponderar pedir ao Ministério das Finanças o estatuto de exceção", referiu a fonte oficial do banco público.
O Ministério das Finanças determinou que o setor empresarial do Estado deve respeitar as orientações salariais adotadas para a função pública, congelando os salários e outras matérias pecuniárias que tenham repercussões nos próximos anos.
A recomendação foi feita na quinta feira, através de carta enviada pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças às empresas do Sector Empresarial do Estado, com o objetivo de ser aplicada no âmbito das negociações salariais em curso ou a ser iniciadas.
Na CGD, as reuniões de negociação salarial iniciaram-se na semana passada com a federação representativa dos trabalhadores da banca e seguros (Febase) a proporem uma atualização de três por cento, tendo recebido de resposta da entidade patronal uma subida de 0,5 por cento.
Paulo Alexandre, da Febase, disse à Lusa que as reuniões na instituição prosseguem na próxima semana.
Quanto à TAP, fonte oficial da transportadora - que anunciou na passada semana aumentos de 1,8 por cento - disse à Lusa que a transportadora "acredita que está fora do enquadramento [dado ontem pelo Ministério das Finanças] e que tem todas as condições para ser considerada uma exceção".
A TAP, acrescentou, "já tem negociações [salariais] fechadas com os trabalhadores e (…) já estava anteriormente numa lógica de contenção, uma vez que tem congelamentos salariais desde 2007".
Ainda assim, a TAP lembra que o seu único acionista é o Estado e que as administrações têm que responder aos acionistas.
A Lusa contactou também a CP, a Refer, os CTT e a RTP, entre outras empresas que integram o universo empresarial do Estado, mas até agora não obteve resposta.
A CGTP já reagiu à recomendação de contenção salarial feita pelo Ministério das Finanças, referindo que a decisão é "desajustada do ponto de vista político, errada do ponto de vista económico e intolerável no aspeto social".
"A concretizar-se, penalizaria fortemente estes trabalhadores que prestam um importante serviço às populações e não deixaria de ter repercussões na dignificação daqueles que levam à prática tão importantes funções sociais", refere a central em comunicado.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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