Sugestões irresponsáveis

por Carlos Santos, Publicado em 26 de Fevereiro de 2010   
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O FMI surpreendeu o mundo com duas sugestões de política inéditas no seu historial: a admissibilidade de uma subida da inflação, e o fim do liberalismo financeiro. Sugestões de um oportunismo político flagrante, e economicamente perigosas. Uma inflação superior ao anunciado oferece ao Ocidente uma redução dos défices reais, à custa do sector privado, cujos retornos descem. Em lugar de diminuir o endividamento, trai-se a confiança de quem emprestou. A credibilidade da política monetária fica ferida de morte. O controlo de capitais é letal tanto para países em vias de desenvolvimento (PVD) como para o Ocidente. Os PVD não têm capacidade de poupança interna para financiar o seu crescimento, e seriam excluídos dos circuitos de difusão da tecnologia, gerando-se armadilhas de pobreza. O investimento estrangeiro tinha um retorno mais alto por unidade investida, dado o baixo stock de capital pré-existente Nas economias desenvolvidas, a liquidez injectada em 2009 não encontra aplicações produtivas rentáveis, e não podendo circular para os PVD, vai alimentar novamente a especulação imobiliária e as bolsas de certos activos, gerando bolhas como as que se temem na China, e a alta do preço do ouro. A lição dos ciclos monetários de Mises e Hayek não foi, aparentemente, assimilada com a crise.

Professor de Economia da Universidade Católica


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