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Scott McCloud: espaço sem fim

por Cristóvão Gomes, Publicado em 26 de Fevereiro de 2010   
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NO FIM DO SÉCULO XIX o espaço da BD era o espaço dos jornais. Com o aparecimento das revistas e dos álbuns essa noção espacial foi alterada, mas a dimensão dos desenhos e das histórias continuava confinada a um limite. No fim do século XX o problema inverteu-se. Já não era o limite; era o que fazer com o espaço ilimitado. A tela infinita, assim lhe chamou Scott McCloud, era a consequência para a BD da democratização da internet. A BD rompe pela www em 1991, quando Hans Bjordahl mostra "Where the Buffalo Roam". Mas essa era a mera transposição de uma tira que já existia na imprensa. Scott McCloud, criador e teórico da BD, autor de três obras seminais sobre o meio: "Understanding Comics", "Reinventing Comics" e "Making Comics", viu além disso. Os seus webcomics exploravam as possibilidades que a internet trazia; uma nova ideia de espaço, a interacção com o leitor e o uso de nova tecnologia. Experimentou páginas virtuais de dimensões improváveis: "My Obssesion With Chess" estende-se por uma única página de cinco metros. E passou para o leitor a tarefa de determinar a sequência das vinhetas. Mais do que usar a web como forma de exposição ou de evitar a mediação das editoras, McCloud buscava uma forma nova de criar BD. Em 2004 parou com as experiências, como se reconhecesse que aquilo ainda não era BD. Há vantagens no manuseamento do papel que a tecnologia ainda não consegue reproduzir. Mas McCloud não abdica de sonhar e promete regressar ao género. Para acabar de vez com os limites.

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