Turismo
Sócrates e Jardim recusam declarar calamidade para evitar reembolsos
Publicado em 25 de Fevereiro de 2010
Governo regional e sector turístico planeiam acções de promoção e de relações públicas. Em Abril celebra-se a grande recuperação do Funchal
Calamidade. Uma palavra proibida para descrever o que aconteceu na ilha da Madeira no passado sábado. Sócrates e João Jardim já concordaram: Pedir o estatuto de calamidade traria mais mal que bem e optaram por não o fazer.
Além de ser algo que pesaria na cabeça de quem procura um destino onde passar férias, isentaria as seguradoras de pagarem pelos estragos. Mais: abriria a porta a cancelamentos e reembolso das reservas turísticas, numa região onde um em cada três euros gerados estão associados ao turismo. "Os clientes ficariam com direito a cancelar as reservas", garante António Trindade, do grupo Porto Bay que detém cinco unidades hoteleiras só no Funchal. 80% das camas disponíveis estão nas regiões afectadas pela catástrofe dos últimos dias.
Apesar dos problemas, os operadores garantem que o turismo não é impraticável. "Já foram analisadas as condições actuais da Madeira. Os operadores turísticos fizeram vários percursos no interior para analisar a segurança e as condições e concluíram que a ilha está acessível e segura, pelo que não estão reunidas as condições para os cancelamentos das reservas", assegurou o responsável do Porto Bay.
O turismo vale 30% do produto interno bruto (PIB) da Madeira - 20% de forma directa -, os hotéis da região encaixam 22,5 milhões de euros por mês e 80% das camas de todo o arquipélago estão nas regiões que mais foram afectadas pela não-calamidade de dia 22 de Fevereiro. Só o Funchal e Santa Cruz detêm 77% das 30 mil camas existentes na região. Agora, assegura, "a preocupação maior não passa pelos cancelamentos, mas sim pelo não aparecimento de reservas", explicou António Trindade.
Para evitar isso, a secretária regional do turismo, Conceição Estudante, reuniu ontem no Casino Park todo o sector turístico da Madeira para preparar o relançamento do destino. Se nas próximas duas/três semanas é inevitável que as reservas caiam, conforme reconhece o próprio sector, as atenções viram-se então para o próximo grande "happening" madeirense: A Festa da Flor. Fazer deste evento - decorre em Abril - "o grande momento de celebração da recuperação do Funchal", com a cooperação de "todos os hoteleiros e agências de viagens", conforme o colocou Conceição Estudante, será apenas o primeiro passo de uma conjunto de medidas de promoção que serão desencadeadas ao longo do ano. Acções de promoção e de relações públicas serão obrigatórias, ficou ontem estipulado, até para evitar o agravamento de um cenário que se foi assistindo nos últimos anos neste arquipélago: A fuga de turistas para os arquipélagos espanhóis, mesmo antes da não-calamidade. "Vamos ter que ser mais agressivos para não perder turistas e voos", vaticinou António Trindade.
São cerca de 1,6 mil os estrangeiros que aterram diariamente nos aeroportos do arquipélago. Entre Janeiro e Outubro do ano passado, os passageiros desembarcados nestas infra-estruturas vindos de voos internacionais foram 496 mil. Sintomático da quebra que o destino tem vindo a sofrer é a comparação com 2008: No ano da crise, a Madeira, e também entre os mesmos Janeiro e Outubro, recebeu mais de de 600 mil estrangeiros nos seus aeroportos. Outro sinal da crise que já existia: Até Novembro do ano passado, os estabelecimentos hoteleiros madeirenses encaixaram 240 milhões de euros, menos 39 milhões face ao mesmo período de 2008.
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