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O mito do leite

por Paulo Oom, Publicado em 25 de Fevereiro de 2010   
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A ALIMENTAÇÃO das crianças ocupa um lugar muito importante no dia-a-dia de todos os pais e mães. Mas não é tarefa fácil. Exige conhecimento, força de vontade, persistência e muito carinho. E é uma tarefa complicada pelas mil opiniões que circulam sobre o que se deve e não deve dar de comer, os hábitos mais saudáveis ou as regras mais importantes. E se a avó diz "está tão magrinho..." parece que o mundo desaba e ela está a passar aos pais um atestado de incompetência.

A alimentação das crianças obedece a regras muito simples e a uma quantidade enorme de bom senso. Apesar disso, existem ainda muitos mitos sobre o assunto.

Um deles diz respeito à ceia. No bebé mais pequeno, que come de três ou de quatro em quatro horas, não podemos falar de ceia. Após o nascimento, a criança demora alguns meses a adquirir um horário de refeições semelhante ao dos adultos. No entanto, a partir dos seis meses a ceia pode ser dispensada. Não quer dizer que seja proibida, apenas que só deve ser dada se a criança a pedir e que esta não deve ser acordada de propósito para beber um leitinho. Este esquema pode manter-se até cerca de um ano de idade. Nessa altura já a criança come de tudo, com refeições completas. Os seus dentes estão na fase de erupção mais acelerada e devem ser cuidados com carinho, o que inclui a escovagem de manhã e à noite, antes de ir para a cama. Por esta altura o mais correcto é abolir a ceia. A partir dos doze meses de idade, o leite à noite pouco acrescenta em termos de calorias. O que a criança deixa de ingerir à noite acaba por compensar durante o dia. E o leite à noite fica na superfície dos dentes acabando por facilitar o aparecimento de cáries.

Pediatra, escreve à quinta-feira


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