O assessor jurídico da Portugal Telecom (PT) e arguido no processo Face Oculta, Paulo Penedos, garantiu hoje que nunca recebeu ordens da administração da PT ou do governo para “controlar ou manipular órgãos de comunicação social”. E rejeitou a “pouco verosímil fotografia de aprendiz de feiticeiro” que diz ter sido feita pelos jornais nas últimas semanas, no âmbito do alegado plano do governo para controlar os media portugueses.
“Nunca falei com José Sócrates mais do que alguns poucos segundos, em conversas de circunstância, quer pessoalmente, quer ao telefone”, garantiu hoje Paulo Penedos, negando que “qualquer membro do governo” o tenha tentado levar a “praticar qualquer acto tendente ao controlo ou manipulação de meios de comunicação”. Uma declaração que estendeu ao presidente e ao CEO da PT, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava.
O advogado da PT defendeu, aliás – durante a sua audição na comissão de Ética, Sociedade e Cultura – que “numa empresa como a PT, cotada em bolsa e com critérios rigorosos de gestão, é impensável que tudo isto se passasse” na operadora. E assegurou que, quando soube do interesse da PT na compra da TVI, o negócio não lhe suscitou surpresa. “Eram públicas e conhecidas as notícias sobre algumas movimentações de grupos que estavam a rearranjar-se. E nesse sentido, um negócio de compra de parte da TVI, que de início era car, de repente tornou-se barato. Quando fui chamado a intervir profissionalmente nesse negócio, não fiquei surpreso. A PT não estava a tentar comprar uma fábrica qualquer que não fizesse parte do seu core-business”, sublinhou.
Embora tenha manifestado disponibilidade para tentar fazer um “exercício de verdade” que permitisse esclarecer a verdade dos factos sobre o alegado plano governamental para condicionar os media, Penedos alertou que tanto o sigilo profissional, como advogado da PT, como o segredo de justiça a que está sujeito, como arguido no processo Face Oculta, poderiam limitar a sua capacidade de responder a todas as questões dos deputados.
O presidente da comissão de Ética, Sociedade e Cultura, Luís Marques Guedes, pediu entretanto aos deputados presentes na audição para que não coloquem perguntas sobre o alegado negócio entre a PT, a Taguspark e Luís Figo, por entender que era “um assunto lateral” relativamente à averiguação sobre o exercício da liberdade de imprensa em Portugal. A referência foi feita na sequência de uma pergunta do deputado social-democrata Pedro Duarte, à qual Paulo Penedos optou por não responder.




Rating: 0.0
Actividade em ionline