O director do Expresso, Henrique Monteiro, revelou hoje que o primeiro-ministro, José Sócrates, lhe telefonou para impedir a publicação de uma notícia sobre a sua licenciatura. “Telefonou-me numa quinta-feira à noite e pediu-me por tudo para não publicar essa notícia. Se isto não é uma pressão ilegítima então não há pressões ilegítimas”, defendeu.
Considerando “normal” a existência de pressões, Henrique Monteiro relacionou este caso com o posterior “boicote” informativo do governo ao semanário “Expresso” e defendeu que “um director que não resista [a essas pressões] deve sair do lugar”.
Durante a sua audição na Comissão de Ética, o jornalista criticou ainda o facto de existirem jornais cuja propriedade "não é conhecida em toda a sua extensão", contrariando assim a Lei. "A Impresa só tem conteúdos e não se decida a mais nada. Todos os seus proveitos vêm dessa área. Se há jornais que sobrevivem sem fazer pela vida no mercado de anunciantes e de vendas, estão em concorrência com outros que têm de fazê-lo", apontou, recusando aprofundar a referência ao concorrente "Sol", cuja propriedade tem sido insistentemente questionada pelos deputados do PS durante estas audições.
As declarações foram feitas durante a oitava audição da comissão de ética, sociedade e cultura, que averigua o exercício da liberdade de imprensa em Portugal, na sequência dos artigos publicados pelo semanário "Sol" sobre a existência de um alegado plano do governo para controlar a comunicação social.




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